domingo, 9 de julho de 2023

Aos 56 anos, cearense de etnia cigana conclui graduação e inicia mestrado, no Ceará: 'Luto por acesso e permanência'

Foto Arquivo pessoal
Dizem que nunca é tarde demais para recomeçar, e Flor Fontenele, de 56 anos, sabe bem disso. De etnia cigana, a mestranda na área de humanidades da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab) concluiu a graduação em maio deste ano e já emendou a pós-graduação – sonhos que, há um tempo, pareciam distantes.

"Minha mãe morreu muito cedo, com câncer, aos 39 anos de idade. Eu queria ter uma vida diferente. Existia uma lógica de vida familiar que eu ia na contramão", relembra a mulher.

É da mãe, inclusive, que Flor carrega a descendência cigana. A descoberta também veio depois dos 50 anos e virou tema de defesa do Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) e, agora, no mestrado.

"Eu estudo identidade, cultura e movimento social na área da antropologia. Estou pesquisando representações sociais do movimento social cigano no Ceará dentro do Facebook", explicou ao g1.

Até chegar aqui, Flor viveu uma adolescência e início da vida adulta conturbadas. Precisou lidar com violência sexual, passou um tempo em situação de rua e perdeu um dos namorados.

Foi na música que encontrou um pouco de consolo e chegou a integrar a banda Resistência Desarmada, grupo punk de Fortaleza composto somente por mulheres.

Depois disso, trilhou caminho no Terceiro Setor, foi educadora social e colaborou com diversos movimentos de infância e juventude de Fortaleza.

"Fui ascendendo dentro desse espaço, mas sem nenhuma formação básica, só pelo desempenho na atuação mesmo", disse.

Com informações do G1 Ceará.