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| Foto Divulgação/Estúdio Voa |
Antônio José Simião, o homem das miniaturas, não quer deixar que parte de sua história desapareça. Por isso dedica horas e horas na casa onde mora no Conjunto José Walter, em Fortaleza, a fabricar pequenos vagões, locomotivas, galpões e até mesmo réplicas dos companheiros da vida de ferroviário que leva há décadas.
A história dele é também a história do trem no Ceará. “Meu trabalho é conservar esta memória, deixar o mais real possível”, ele diz, depois de ver ferrovias serem desabilitadas e galpões serem fechados ao longo dos anos.
É que o homem das miniaturas tem ferrugem correndo nas veias. Mas talvez nem isso possa explicar seu encantamento infantil com a Maria Fumaça desde os tempos em que deixava tampinhas de refrigerante sobre os trilhos que cortavam o bairro do Mucuripe para que o trem as amassasse.
Com elas, fazia os corrupios. Era só fazer dois pequenos furos no metal prensado e passar uma linha que o “brinquedo” estava pronto. Fabricada com a boa ajuda do velho trem, as crianças giravam a estrutura cortando a linha dos demais corrupios e revelando o vencedor na brincadeira do bairro. A paixão por locomotivas e vagões já levava o menino a fazer, ele próprio, seus trenzinhos de lata naqueles tempos.
“O tempo passou, passou, e o trem pra mim continuou mágico”, diz Simião, aos 67 anos. Primeiro da família a se tornar ferroviário, ele ingressou na RFFSA (Rede Ferroviária Federal S/A) em 1983, sendo metalúrgico na Oficina Demósthenes Rockert. Nem mesmo a aposentadoria por tempo de serviço foi capaz de afastá-lo do ofício: Simião segue atuando na manutenção da caldeiraria na oficina, que hoje faz parte da Transnordestina
Com informações do Diário do Nordeste.
