domingo, 18 de setembro de 2022

A era da TV na Praça e dos 'televizinhos' marca a vida dos cearenses

Foto Diário do Nordeste 
O futebol pode ser a coisa mais lembrada quando se fala na tal “paixão nacional”. Contudo, vez ou outra, é comum recorrer ao termo para incluir outros amores confessos dos brasileiros. Inclua aí o Carnaval, cerveja, churrasco, novela…

Conforme a licença classificativa que a expressão nos permite, pedimos licença para incluir a TV nesse olimpo do bem-querer BR. O 18 de setembro marca as celebrações do “Dia Nacional da Televisão”. Sim, temos uma data que reverencia esta tecnologia tão presente no cotidiano dos lares. E fora deles também, diga-se.

Longe da atual realidade de acesso ou oferta, possuir um aparelho televisivo em casa era privilégio de uma abastada minoria no País. Nas capitais, era comum a existência dos “televizinhos”. Já nos distantes municípios do Interior, a única TV presente transmitia direto da praça. Naquela caixa presa a cadeado guardava-se uma janela para outro universo.

Já se aventurou como televizinha ou foi um espectador assíduo da TV de praça? Adentramos esta memória recente da comunicação brasileira a partir de sua presença no cotidiano dos cearenses. Boa parte dessa história serve de referência para o alegre universo da série Cine Holliúdy, cuja segunda temporada segue estourada de audiência.

KUNG FU, NOVELA E FUTEBOL

Duas experiências, com curta distância de tempo entre elas, mostraram um pouco do fascínio que as telinhas exercem. A primeira acontece no início dos anos 1990. Rua 35 do Conjunto Habitacional Jereissati 1. A sexta-feira seguia movimentada no bar do Jurandir.

Além da sinuca e dos bregas rasgados de José Ribeiro e Alypio Martins, outro elemento divertiria e dominaria a atenção da clientela. Um televisor Telefunken no balcão. Naquela noite, a grade da TV exibiria a fita do “Operação Dragão” (1973).

Para muitos ali era oportunidade das raras. A chance de ver Bruce Lee distribuindo canga leitão e tabefe fez encher o lugar. Telão? Que nada. O luxo era uma simples 14 polegadas e o quesito técnico pouco importava. Cada tapa ou movimento do herói a estalar da telinha motivava a alegria da pequena multidão.

Evandro, morador da 34, tirava onda com as habilidades do herói. Ensaiava umas voadoras no ar, evocando, sem ter ideia, o estilo Zui Quan do Kung Fu. Em português, refere-se ao estilo de luta do Punho Bêbado. Poucos anos depois, o interior cearense propiciou o encontro com uma TV de praça

Caracará, 1992. Viagem de Semana Santa ao pacato Distrito de Sobral. No coração da localidade funciona a capela de São Francisco. O relógio marca algo em torno das 17h e um cidadão se dirige a uma caixa de concreto montada a alguns metros dali. A responsabilidade era garantir o funcionamento da única TV do lugar. Por ela era possível acompanhar do casal da novela à alguma peleja do Flamengo.

Com informações do Diário do Nordeste.