segunda-feira, 19 de setembro de 2022

9 mil pessoas de duas cidades do Ceará estão há 5 anos seguidos abastecidas por Carro-Pipa

Uma das soluções paliativas para garantir acesso hídrico a comunidades difusas do Ceará é a Operação Carro-Pipa, programa do Governo Federal cujo objetivo é assistir famílias atingidas por estiagem e seca no semiárido nordestino. Das 184 cidades cearenses, duas estão sendo atendidas de forma ininterrupta ao longo dos últimos cinco anos: Choró e Monsenhor Tabosa.

Os números foram obtidos com exclusividade pelo Diário do Nordeste através da Lei de Acesso à Informação. Estes dois municípios, localizados na região do Sertão Central, sofrem historicamente com os poucos volumes de chuva. Sem precipitações suficientes para abastecer os principais açudes da região, a população se vê obrigada a contar com outros recursos. Nem sempre a tarefa é simples.

“A situação é triste, bastante precária. Monsenhor Tabosa sofre há muito tempo com a falta de água. A gente tem que ir se virando como pode, mas é difícil”, diz a professora Maria do Socorro Rodrigues Araújo.

Os números recentes corroboram o relato da professora. Entre 2018 e 2022, em apenas uma oportunidade ambos os municípios fecharam o ano – já contabilizando os números parciais de 2022 – com pluviometria acima da média. Em Choró, este ano está 15% acima da normal climatológica e, em Monsenhor Tabosa, 2020 foi o ano em que as chuvas ficaram 21,1% acima da média.

“Para que os danos causados pela estiagem sejam recuperados, é preciso muito além do que um ano de chuva acima da média. Leva um tempo para a recuperação”, pontuou o professor da UFC, Itabaraci Nazareno Cavalcante. Em todos os outros anos deste recorte – 2018 a 2022 – as cidades tiveram déficit de chuva.

Este cenário reflete diretamente na reserva hídrica dos açudes. O reservatório Monsenhor Tabosa é um dos sete cearenses que está completamente seco. Há seis anos o açude está na condição de 0% de reserva de água acumulada.

Já o Pompeu Sobrinho, reservatório de Choró, está há quatro anos seguido com volume abaixo dos 5%, conforme dados da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh). “A água que vem de lá não dá para usar. É suja, barrenta, fedorenta demais”, detalha a agente de saúde Antônia Maria Alves da Silva, moradora da comunidade Barreiras Branca.

Na ausência deste recurso, os moradores se veem socorridos por cisternas e poços profundos. Nos últimos dois anos, dois poços foram construídos o que, segundo Antônia Maria, “deu um certo alívio, mas não para todos”.

“Os poços ajudaram, mas ainda têm muitas famílias que precisam de carros-pipas e, a maioria, inclusive eu, tem que utilizar jumentos para ir pegar água em uma cisterna, distante cerca de 1 km”, descreve.

Com informações do Diário do Nordeste.