A pré-estação chuvosa no Ceará teve início no último dia 1º com previsão de pluviometria dentro ou acima da média para o período, que se estende até janeiro. A princípio, os índices têm sido promissores.
Nos seis dias iniciais de dezembro, a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) registrou o acumulado de 35,2 milímetros, volume superior à normal climatológica para todo o mês de dezembro, que é de 31,6 mm.
O bom volume das precipitações tanto na pré, quanto na estação chuvosa - que tem início em fevereiro e segue até o fim de maio - é preponderante para que os açudes cearenses garantam recarga hídrica satisfatória e possam ofertar abastecimento humano sem interrupções ao longo de 2022.
Atualmente, o volume médio dos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) é de 21,4%. Índice, de um modo geral, satisfatório. No entanto, quando observado as principais bacias hidrográficas, onde estão localizados os maiores e mais importantes açudes do Estado, o cenário muda.
A bacia Banabuiú, onde abriga o açude de mesmo nome, está com 7,06% de volume. Já a bacia do Médio Jaguaribe, onde está o Castanhão, tem somente 8,84% da capacidade de armazenamento hídrico. Castanhão e Banabuiú, dois dos três maiores reservatórios do Estado, estão com volume abaixo dos 9%.
Castanhão: 8,55%
Banabuiú: 8,28%
Realidade um pouco melhor se encontra a bacia do Alto Jaguaribe (27,11%), onde está o açude Orós, segundo maior do Estado. Mas, o que esses índices significam? Há um número mágico para que determinado açude consiga manter o abastecimento humano mesmo que não ocorram chuvas e, consequentemente, recarga hídrica?
O titular da Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará (SRH), Francisco José Coelho Teixeira, explica que "qualquer volume [dos açudes] abaixo de 30% causa preocupação". Para que se tenha "conforto", um reservatório precisa ter mais de 40% de seu volume.
Esse conforto, a que se refere Teixeira, seria suficiente para abastecer determinada localidade por cerca de três anos, ainda que sem ocorrência significativa de chuvas.
"Tem quase dez anos que o Castanhão não se aproxima desse percentual", ilustra o representante da SRH. Desta forma, com os três principais açudes cearenses abaixo desse índice "mágico", Teixeira externa ser preciso o uso consciente da água além, claro, de contar com boas chuvas nos próximos meses.
Com informações do Diário do Nordeste.