São 46 km do assentamento Tira Teima, no município de Monsenhor Tabosa, ao Centro. De lá até Crateús, onde fica o mamógrafo mais próximo, são mais 106 km. Em média, mulheres precisam viajar 152 km para conseguir uma mamografia no Ceará.
A realidade é só um recorte vivenciado pela agricultora Cleane Farias, 41, mas pode ser ainda pior. O Ceará tem, hoje, 179 mamógrafos distribuídos em 29 cidades, de acordo com a Secretaria Estadual da Saúde (Sesa) – mas só 71 deles são usados para o Sistema Único de Saúde (SUS).
Dos 184 municípios cearenses, só 23 disponibilizam o aparelho na rede pública, para as milhares de mulheres que aguardam por um exame na fila da Central de Regulação do Estado – gerando longas esperas para rastrear uma doença urgente, que é o câncer de mama.
Cleane, por exemplo, não pode esperar. Com uma dor aguda no seio desde 2017, ela “perambulou” em consultas por várias cidades vizinhas a Monsenhor Tabosa, até que desistiu e precisou contar com a ajuda do irmão para pagar por uma mamografia particular, em julho de 2020.
“Fui fazer em Crateús, pagando, porque tava mal, com o seio muito inchado. Não consegui de jeito nenhum pela rede pública. Além de ter pouca vaga, precisa viajar pra outra cidade, e é de 6 meses a 1 ano pra você, talvez, conseguir fazer a mamografia”, relata.
Para ter melhores resultados, com a ajuda do Instituto Social Cultural de Apoio à Vida, Cleane conseguiu realizar a mamografia e outros exames em Fortaleza, e aguarda os resultados.
Com informações do Diário do Nordeste.