segunda-feira, 3 de agosto de 2020

Estado aposta na mecanização para aumentar produção de mandioca no Ceará

Visando potencializar a produção de mandioca no Ceará, o governo do Estado adquiriu três “Fábricas de Farinha Móveis” como incremento tecnológico para a agricultura familiar. O modelo é patenteado por uma empresa de Sergipe e permite o atendimento de várias comunidades rurais ao mesmo tempo, além de garantir uma redução estimada em 70% da queima de lenha. As fábricas também funcionam com base na reutilização da água.

As três fábricas chegaram ao Estado na última sexta-feira (31). Segundo a Secretaria do Desenvolvimento Agrário (SDA), os equipamentos serão puxados por veículos seguindo rotas de atuação. O modelo, segundo a Pasta, reduzirá os custos com transporte e produção dos pequenos agricultores.

Conforme a SDA, os Municípios precisarão apresentar um projeto constatando a capacidade de produção para, a partir disso, definir as rotas de atuação das fábricas móveis. Este processo deve levar em consideração os polos de produção presentes no Estado, como a região do Cariri, com Salitre sendo reconhecida, por exemplo, como capital da mandioca do Ceará; além da região dos Inhamuns.

Realidade

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o plantio de mandioca na região Nordeste teve uma redução de mais de 20% entre 1990 e 2017. Ao longo da série histórica, a região concentra a maior área plantada do produto do País (representando mais de 57%).

Apesar disso, vem sofrendo redução ao longo dos anos, atingindo, em 2017, pouco mais de 37%. No Ceará, há uma tentativa de potencializar a produção com o processo de mecanização rural.

José Ferreira, coordenador da Casa de Farinha no Sítio Malhada, em Crato, no Cariri cearense, avalia que este processo de mecanização pode auxiliar na produção. Na comunidade, vivem 11 famílias - nem todas trabalhando na Casa de Farinha. “Já trabalhamos com alguns maquinários. Produzimos para consumo próprio e vendemos o excedente”, explica o produtor.

Segundo ele, são produzidos até 2,5 mil quilos de raíz por dia, que será processada para se transformar em goma ou farinha. Grande parte da venda vem da Expocrato, evento que ocorre no mês de julho mas que, neste ano, por conta da pandemia, precisou ser adiado. “A Casa de Farinha é um dos locais mais visitados. A gente consegue vender bastante. Para a comunidade foi uma perda”, lamenta.

Para tentar mitigar os impactos, as vendas estão acontecendo na própria comunidade, aos sábados, para clientes vindos dos municípios de Crato e Juazeiro do Norte. “Hoje, a gente trabalha com uma média de oito pessoas na Casa e quatro no campo, com renda de R$ 40 por dia. Para a venda na Expocrato, a gente já chegou a ter 60 pessoas trabalhando”, finaliza Ferreira.

Com informações do Diário do Nordeste.