segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Com diminuição de 95% nas corridas, taxistas devolvem carros de trabalho em Fortaleza

Taxista há mais de 12 anos, Silvio Vidal, 40, viu a renda diária cair de 200 para 20 reais, sendo necessário devolver o carro alugado — Foto: Arquivo pessoal
Quando o isolamento social foi decretado na capital cearense, a busca por corridas diminuiu cerca de 95%, saindo da média de 3,5 mil ao dia para 175, conforme o Sindicato dos Taxistas (Sinditaxi) de Fortaleza e Região Metropolitana. Para muitos profissionais do grupo, a pandemia provocou a necessidade de entregar os veículos. A categoria informou que tem conhecimento sobre o 'movimento', mas não sabe quantos carros foram devolvidos.

Sem condições de manter o pagamento do aluguel, o taxista Silvio Vidal, 40, que atua nas ruas há mais de 12 anos, precisou devolver o carro de trabalho e suspender as atividades.

A vocação para taxista está na vida de vários familiares de Silvio. Com pai, tio e primo no trabalho, diz ser uma atividade que vem do berço. Por isso, quando se tornou impossível manter o pagamento do carro, na metade de abril, a tristeza de deixar o serviço foi grande. Durante algumas semanas de março, Silvio chegou a completar a renda com as próprias reservas, mas posteriormente percebeu que não teria como sustentar o pagamento.

Se antes da pandemia, o taxista apurava uma média de 200 reais ao dia, esse número reduziu para 10, 20 e, em raros casos, 50 reais, sendo insuficiente para cumprir o pagamento mensal de 500 reais pelo veículo.

“Quando chegou ao ponto de não estar fazendo nem o dinheiro do carro, eu infelizmente devolvi. Nesse momento, foi mesmo que tirar o meu chão. Ali era a minha fonte de renda, não tinha mais como estar levando nada para dentro de casa”, compartilha com tristeza.

Após a retomada gradual da economia, o taxista decidiu retornar “à praça” na última terça-feira (11), buscando sentir o movimento das ruas e analisar se tem condições de manter o pagamento do carro. “Ainda é uma situação muito difícil porque nós taxistas dependemos muito de eventos, de turismo, de escola, de todo o sistema estar bem para ficar bom para nós. Mas a esperança é de dias melhores”, finaliza.

Com informações do Diário do Nordeste.