| Pernambuco foi um dos estados visitados por Lula durante sua caravana |
Do lado de fora da sala de audiências da Justiça Federal no Paraná, o PT quer se afastar do noticiário judicial. Na próxima quarta-feira (13), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será interrogado pelo juiz federal Sergio Moro no segundo processo em que o político está envolvido na Operação Lava Jato, sobre um esquema de corrupção envolvendo oito contratos entre a empreiteira Odebrecht e a Petrobras. A informação é do UOL.
Diferentemente do primeiro depoimento, em 10 de maio, em que o nome de Lula ficava vinculado quase que exclusivamente a questões judiciais, desta vez, uma agenda política mais forte cerca o petista. Desde a sentença, nos eventos em que participa, os pronunciamentos de Lula têm sido mais fortes a respeito de política do que sobre os processos em que réu.
Após 12 de julho, quando, no primeiro processo na Lava Jato, Moro condenou o ex-presidente a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro a partir de três contratos entre a empreiteira OAS e a Petrobras, Lula anunciou que era pré-candidato do PT à Presidência da República na eleição do ano que vem.
"Quero dizer ao meu partido, e eu nunca tinha dito isso antes, que vou pleitear a vaga como candidato à Presidência. Vocês vão ter um pré-candidato com um problema jurídico, mas vou brigar a boa briga democrática nas ruas", disse no dia seguinte, falando que os processos, na verdade, são uma tentativa de tirá-lo da disputa pelo Planalto em 2018. Esse discurso já era proferido anteriormente, mas foi intensificado desde então.
Na sequência, Lula emendou uma caravana pelo Nordeste. Foram 20 dias de viagens, entre o final de agosto e o começo de setembro, pelos nove Estados da região. Entre uma viagem e outra, jingles de campanhas antigas foram relembrados pela militância petista. Na chegada a Salvador, por exemplo, no trajeto entre o metrô e a Fonte Nova, o famoso "Lula, lá", da campanha de 1989, foi repetido várias vezes no carro de som.
Nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República, Lula tem aparecido em primeiro lugar.
Acelerando a agenda
Enquanto a militância pró-Lula no Paraná prepara um ato em defesa do ex-presidente para quarta-feira em Curitiba, o partido busca acelerar a agenda política. "Nós não vamos ficar aderindo à agenda do Judiciário. A prioridade de mobilização do PT, junto com o Lula, tem sido as caravanas do Lula pelo Brasil", disse o vice-presidente do PT e ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ao UOL.
Segundo Padilha, Lula quer continuar viajando o país. Nesta semana, o PT deve começar a definir as datas das próximas caravanas. Prováveis destinos são Minas Gerais e a região Sul, assim como as regiões Centro-Oeste e Norte. Segundo o líder do partido na Câmara dos Deputados, Carlos Zarattini (PT-SP), a próxima incursão de Lula em caravanas deve ser em outubro, com as definições de localidade saindo após o interrogatório.
As viagens na mais recente caravana não significam, porém, que Lula tenha deixado de lado as questões judiciais. Descansando da jornada pelo Nordeste, ele se prepara para seu segundo interrogatório a Moro. "O problema dele é mostrar que não existem provas [de envolvimento no esquema]", avalia Zarattini.
O líder petista imagina que as declarações de Palocci na última quarta-feira (6), também réu no processo, em que afirmou que havia um "pacto de sangue" entre a Odebrecht e Lula não vão afetar o depoimento do ex-presidente. "Uma declaração ruim, com frases fortes, sem mostrar nenhuma prova. Propina... Palocci nunca tinha usado essa palavra."
Lava Jato de lado
Em paralelo, a Fundação Perseu Abramo, braço de formação política do partido, começa neste mês um movimento de debate de propostas chamado "O Brasil que o Povo Quer". A princípio, nada de Lava Jato e Sergio Moro, seguindo o tom adotado por Lula em alguns momentos da caravana pelo Nordeste. "Ele continua cuidando da política, ele nunca deixou de fazer política", comenta Zarattini.
Com isso, a mobilização pró-Lula para o depoimento está concentrada na militância local. O braço paranaense da Frente Brasil Popular, que reúne diversos movimentos sociais, organiza ato "pela democracia" na praça Generoso Marques, em Curitiba, ao qual Lula deve comparecer logo após o depoimento. Esse local é menor do que a praça Santos Andrade, que reuniu cerca de 5.000 pessoas em maio por ocasião do primeiro interrogatório --os dados são da Polícia Miiltar do Estado.
Segundo Padilha, que estará no Paraná, o ex-presidente terá a companhia de deputados e senadores petistas. Zarattini diz que não deverá ir por causa da agenda da Câmara, que deve ter votação de destaques da reforma política.
Ainda é dúvida a presença de Dilma Rousseff, que deve retomar suas viagens internacionais para "denunciar o impeachment".
Assim como no depoimento que Lula prestou em maio, o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra) deverá ter integrantes acampados em Curitiba, mas a data de chegada dos militantes e o local de acampamento ainda não foram definidos. Segundo a assessoria de imprensa do movimento, devem ir à capital do Paraná militantes dos Estados do Sul, de São Paulo e do Mato Grosso do Sul.
A Secretaria de Segurança do Paraná só apresentará um plano de segurança para o interrogatório na segunda-feira (11). O que já se sabe é que ao menos o perímetro do prédio da Justiça Federal, em Curitiba, terá acesso restrito. No primeiro depoimento, acampamentos foram proibidos na capital paranaense e a Polícia Militar disponibilizou cerca de 1.700 agentes --8% do efetivo do Estado-- para fazer a segurança na data. A operação custou R$ 110 mil.