terça-feira, 12 de setembro de 2017

A quase-centenária Acopiara: Nossa "joia rara"

Com quase 100 anos de emancipação política, Acopiara, nossa terra natal, é digna de solene preito de gratidão; não faz parte do grupo dos grandes e ricos municípios do Estado, mas, para quem é honrado com o seu gentílico, melhor lugar não há em todo o mundo.

Em seu Hino, canta-se esta cidade como "joia rara". Devemos, em uníssono e perenemente, afirmá-lo a viva voz, visto que um filho seu, que preze-se, fora de suas fronteiras, não encontra o alento deste rincão. Apesar de quaisquer circunstâncias negativas, aqui encontra-se a possibilidade de um repouso espiritual sublime.

Na "Terra do Algodão", quem acolhe é a Padroeira, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do alto de seu arco: esta, apresenta, não a si mesma, mas seu Filho, Jesus, a abençoar-nos. A Igreja Matriz, "casa de Deus e casa de irmãos", mesmo no centro da cidade, e, portanto, em grande parte do dia, cercada de barulho, consegue favorecer momento e espaço propício para um encontro fecundo com o Senhor, pela oração. No âmbito religioso, ainda temos as outras Igrejas, Evangélicas, nossas irmãs, que, também, anunciam o Cristo, com os seus valores morais, cooperando para a edificação de uma sociedade melhor, mais humana.

Citemos, também, o setor cultural, "chama que resiste aos ventos contrários dos modernismos", nas palavras de um pensador, filho da terra. O bom e velho São João, o São Gonçalo, a cantoria e tantas outras expressões, pela sua dignidade, merecem toda a nossa consideração e apoio, por serem "coisa nossa", nossa identidade, retrato da nossa essência.

Agora, falar de Acopiara, mas não falar de seu patriarca, seria, de nossa parte, hiprocisia. Padre Crisares Sampaio Couto, filho de Jardim, foi acolhido e adotado por Acopiara, aqui residindo por mais de 50 anos. Com esta menção, não visamos, como diz o vulgo, "puxar a sardinha" para a Igreja Católica, pois a ação do referido religioso não objetivava proselitismo, beneficiar seus fiéis, mas abarcava a todos que precisassem, independentemente de credo, ou qualquer outra circunstância.

Ressalte-se sua atenção à vida no semi-árido. Chagada pelas secas, grandes e recorrentes, nossa região padece com a escassez de água, seja na zona rural, seja na urbana, como constatamos, por exemplo, nos dias atuais. Padre Crisares, usando de seus contatos, com organizações caritativas católicas europeias, conseguiu recursos para a feitura de projetos, que sanassem a necessidade de nosso povo. Muito agradecemos e deveremos fazê-lo, por todas as gerações, especialmente, os moradores dos Distritos de Ebrom e Barra do Ingá,

possuidores de dois grandes açudes. Porém, muitas mais são suas obras, que
espalham-se por todo o território, pelos seus vários distritos, espirituais ou
materiais.

Este grande sacerdote não almejou fama ou votos, mas, sim e tão somente, o bem comum, como mandou Jesus. Falecido há 3 anos, seu corpo está sepultado em nossa Matriz referida, devendo ser visitado por todo e cada acopiarense, de qualquer profissão religiosa, e ter seu nome e legado transmitido às gerações que nos sucederão, dada a magnitude da humanidade deste servo de Deus, que, "não adiantando o pronunciamento oficial da Igreja", como diz um monsenhor fortalezense, foi um santo entre nós. Estas poucas linhas não resumem sua importância, pelo contrário, muito mais poderia ser dito, contudo, por questões práticas, fica-se para ocasião futura.

É isto! É esta Acopiara, com sua história, figuras, expressões, com seu povo, de fé e trabalhador, que Deus nos presenteou, honrando-nos com a graça de nela nascermos e morarmos. Que dia 28, particularmente, digamos, com o coração: "Tenho orgulho de ser acopiarense!" E, esquecendo divisões, inclusive políticas, sejamos, como o que de fato somos, concidadãos.

Parabéns Acopiara, pelos seus 96 anos!


Por Pedro Lucas Teixeira Mendes