quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Mais de 100 policiais estão envolvidos na Chacina de Messejana, acredita MPCE

Ontem (31), 44 dos policiais suspeitos foram presos preventivamente por envolvimento nos homicídios ( foto: JL Rosa )

As investigações do Ministério Público do Ceará (MPCE) sobre a Chacina de Messejana indicam que mais de 100 policiais participaram da ação que deixou 11 mortos e 7 feridos no dia 12 de novembro de 2015. A informação foi divulgada na manhã desta quinta-feira (1º) pelo órgão e consta de um relatório com mais de 300 páginas sobre o caso.

Contudo, através das provas técnicas, apenas 45 foram identificados, sendo dois oficiais e 43 praças. Ontem (31), 44 dos policiais acusados foram presos preventivamente por envolvimento nos homicídios. O único que não teve o pedido de prisão decretado pela Justiça foi o tenente-coronel Plauto Roberto de Lima Ferreira, que era Supervisor de Policiamento da Capital.

O MPCE teve acesso a dois áudios de Ferreira. Num deles, ele disse: “deve ser algum vírus que está matando esse povo”. No outro, o tenente-coronel recebe a ligação de um policial que relatava um homicídio na Serrinha. O oficial respondeu: “esse foi fora do esquema”. O Ministério Público do Estado vai entrar com um recurso contra a rejeição da denúncia contra ele.

Foram usados para identificar os policiais envolvidos imagens de câmeras de condomínios e comércios, o GPS das viaturas (que informa onde elas estavam no momento dos crimes), quebra de sigilo de dois celulares de PMs e a antena de localização de cada policial. A investigação não conta com provas testemunhais. 

Primeira audiência do processo é marcada

O processo sobre a chacina terá a primeira audiência no próximo dia 7 de outubro, quando serão ouvidas as vítimas sobreviventes. A sessão está marcada para as 9 horas, na 1ª Vara do Júri do Fórum Clóvis Beviláqua.

A decisão, tomada após a denúncia e a prisão preventiva dos envolvidos, foi definida após o Colegiado de 1º Grau, instalado pelo Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE).




Fonte Diário do Nordeste