Mais de 13 anos após o assassinato do radialista Nicanor Linhares Batista, em Limoeiro do Norte, distante a 194 km de Fortaleza, nenhum dos mandantes do crime foi condenado pela Justiça. Na busca por justiça, familiares e amigos do radialista assassinado denunciaram o caso em outdoors espalhados pelo município.
"A gente vem sofrendo com a impunidade ao longo de 13 anos. Os bandidos que o mataram já foram condenados ou mortos. No processo, o [acusado] do crime é o desembargador federal José Maria Lucena e a sua mulher, a ex-prefeita de Limoeiro do Norte, Arivan Lucena. Mandamos fazer seis outdoors pedindo justiça. Não atacamos ninguém. Para nossa surpresa, os seis amanheceram rasgados. Mandamos fazer mais seis, que também foram destruídos", desabafa Kennedy Linhares, filho do radialista assassinado.
Nicanor Linhares Batista era proprietário da rádio Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte, e principal adversário da então prefeita Maria Arivan de Holanda Lucena. No seu programa diário, o "Encontro Político", ele fazia críticas à administração local e acusações de corrupção. Arivan era mulher do agora desembargador aposentado José Maria de Oliveira Lucena, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5).
Por causa das denúncias contras políticos da região, ele recebia frequentes ameaças de morte. Em 30 de junho de 2003, enquanto gravava o programa, a rádio foi invadida por duas pessoas, que atiraram diversas vezes em Nicanor e fugiram. O radialista foi atingido por 11 disparos e morreu na hora.
O assassinato do jornalista causou comoção. A Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) se manifestou sobre o crime e cobrou punição dos culpados. Foram apontados nove acusados pelo assassinato. Entre eles, a então prefeita Arivan de Holanda Lucena e o desembargador José Maria Lucena. Os dois nunca foram a julgamento.
Os outros sete acusados foram pronunciados em 2006 pela juíza Luciana Teixeira de Souza, da 1ª Vara de Limoeiro do Norte, um deles morreu antes de ser julgado: José Roberto dos Santos Nogueira, suspeito de participação na morte do radialista foi morto pela polícia do Rio Grande do Norte. "Chico Orelha", como era conhecido, era réu no processo e morreu durante a fase de instrução.
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