Iguatu. As chuvas que banharam o sertão cearense nos últimos dias trouxeram esperança para os produtores rurais. Ao mesmo tempo, o governo do Estado autorizou a distribuição das sementes do programa Hora de Plantar, mas a quantidade, que vem diminuindo nos últimos quatro anos, é insuficiente para atender à demanda.
Com as precipitações, os agricultores se apressaram em preparar a terra para o plantio de sequeiro (aquele que depende exclusivamente da chuva). A maioria tenta aproveitar o período favorável ao cultivo. Os escritórios da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce) começaram a distribuir as sementes, mas logo surgiram problemas recorrentes: longas filas e quantidade insuficiente para atender à demanda. As reclamações aumentaram em vários municípios. Em alguns casos, agricultores passam a noite na calçada das unidades de atendimento.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iguatu, Evanilson Saraiva, defende a antecipação da entrega. "O agricultor sabe a hora certa de plantar, por isso o governo deve entregar com antecedência. Não precisa aguardar que a terra esteja úmida. Existem anos que a chuva chega mais tarde, em outros chega mais cedo, como está acontecendo agora", disse.
O coordenador de Desenvolvimento da Agricultura Familiar da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Itamar Lemos, reconheceu que a quantidade de sementes é insuficiente para a demanda e confirmou que houve uma redução na compra do produto. "Houve uma diminuição porque o recurso que dispomos é o mesmo dos anos anteriores, mas o preço da semente aumentou. O governo enfrenta dificuldades e o programa nunca foi universal, atende cerca de 40% da agricultura familiar", explicou. Além disso, neste ano, houve isenção de pagamento por parte do agricultor, por causa da frustração de safra em 2015.
Lemos esclareceu também que, com base no prognóstico da Meteorologia, há uma expectativa de chuva abaixo da média. "A previsão é de mais um ano de seca. Com isso, diminuímos a quantidade de milho e ampliamos a oferta de palma e de sorgo forrageiro, como estratégia para uma possível estiagem", disse.
O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Ceará (Fetraece), Luís Carlos Ribeiro, confirma as reclamações do Interior. Ele também defende a distribuição com antecedência e que os agricultores tenham autonomia para criar bancos e casas de sementes.
