Na última quinta-feira (29), o casal de idosos Genésio (75) e Antônia da Silva (72) sofreu um grave acidente. Um elevador da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Ceará (UFC) caiu ferindo os dois e outras três pessoas. Apesar do socorro ter sido rápido, eles foram enviados a hospitais diferentes e, após cinco dias, ainda aguardam uma cirurgia.
Enquanto Genésio está no Instituto Dr. José Frota (IJF), D. Antônia está num corredor, aguardando um leito na enfermaria doFrotinha da Parangaba. Dois locais diferentes e o mesmo drama. “Eles estão nessa situação desde o dia 29 de outubro e ainda não temos nenhuma previsão de quando as cirurgias vão acontecer”, lamenta a filha do casal, a professora Ester Marques, que também estava no elevador, mas teve apenas escoriações.
Segundo ela, além de toda a dificuldade da situação, o fato dos dois terem sido enviados a locais diferentes complica a assistência da família. “Estamos passando um momento crítico, porque meus pais são idosos e estão em hospitais públicos diferentes, distantes um do outro”, reclama. E a situação deve se agravar. Na tarde desta terça-feira (3) a família foi avisada sem maiores explicações que D. Antônia deve ser transferida para o Frotinha de Messejana, mas não foi informado nada sobre a cirurgia. "Isso vai complicar ainda mais, porque não vai ter como a gente dar assistência aos dois", lamenta.
O casal foi à Faculdade de Educação assistir à defesa da tese de doutorado de uma outra filha. Os dois, Ester e uma amiga, grávida de gêmeos, foram orientados, segundo a professora, por um funcionário da UFC que os encaminhou ao elevador que, na verdade, era uma plataforma de acessibilidade. O próprio servidor entrou no equipamento e também se machucou. A situação dele seria semelhante à dos idosos, mas as testemunhas não souberam informar o nome dele.
“Foi um impacto muito forte. Meu pai gritava dizendo que sentia dores na coluna”, relata Ester. Segundo ela, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e o atendimento foi rápido e eficiente. A amiga da família foi encaminhada para um hospital particular e logo foi liberada. O aposentado Genésio da Silva fraturou a perna e a dona de casa Antônia da Silva o tornozelo. “Mas eles não têm previsão para a data de cirurgia”, reforça a filha.
Em nota, a UFC informou que “está tomando todas as medidas de assistência às vítimas”. Além disso, a universidade ressalta que a plataforma tinha capacidade para apenas três pessoas ou 250 quilos, e passa por manutenção permanente. “Será aberta uma sindicância para esclarecer os motivos do acidente. A Polícia Federal realizará perícia técnica no equipamento”, explicou a instituição.
A reportagem entrou em contato com o IJF e a Secretaria de Saúde do Município (SMS) para saber porque os casal de idosos não foi submetido às cirurgias de emergência mesmo cinco dias após o acidente. A SMS informou que, por questões de gestão, tem por política não divulgar a situação dos pacientes. Já o IJF afirmou em nota que "casos pontuais e questionamentos sobre procedimentos realizados no maior hospital de atenção terciária do Ceará devem ser encaminhados pelo paciente ou familiar aos canais oficiais de comunicação com o usuário, como a Ouvidoria, o Serviço Social e até mesmo as Chefias de Equipe da unidade de saúde".
Fonte Diário do Nordeste
