quinta-feira, 2 de abril de 2026

Uma em cada duas mulheres no Ceará já sofreu algum tipo de violência, aponta pesquisa

Foto Diário do Nordeste 
“Simpático, educado, uma pessoa presente... Eu nem sei dizer ‘direito’ o início disso tudo. Mas as primeiras agressões foram verbais”. É assim que Marina* relembra, em entrevista ao Diário do Nordeste, um relacionamento abusivo vivido ainda na adolescência.

As agressões verbais, infelizmente, eram o indicativo de que algo ainda pior estava por vir. Marina foi violentada fisicamente pelo ex-namorado.

“Eu queria dizer que a denúncia partiu de mim, mas não foi. Foram duas situações específicas que a Polícia interveio”, relembra a jovem, hoje com 27 anos. Com a ajuda das amigas, da família, de policiais militares e uma equipe multiespecializada na área da saúde, o ciclo de violência foi rompido.

A história de Marina compõe triste estatística retratada na pesquisa “Mulher Coragem, os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”, realizada em 2025, como parte do Projeto Elas, do Diário do Nordeste. O levantamento aponta dados alarmantes como o de que uma em cada duas mulheres no Ceará já sofreu algum tipo de violência.

Considerando apenas os 12 meses anteriores à pesquisa, 20% das pouco mais de duas mil jovens e adultas entrevistadas afirmaram que sofreram ou presenciaram violência de gênero no Ceará.

E, conforme números da pesquisa quantitativa, apenas uma a cada 20 (ou seja, 5%) denunciou violência contra mulher nos últimos 12 meses. Medo de represália e vingança, dependência emocional, dependência física, vergonha e constrangimento estão entre os principais fatores que impediram essas mulheres de buscar as autoridades, seja para reportar uma violência sofrida ou algum caso que presenciaram.

Como parte do Projeto Elas, o Diário do Nordeste publica o especial “Mulher Coragem”, série de reportagens baseadas nos resultados da pesquisa de opinião “Os medos e demandas das mulheres cearenses por segurança”, encomendada pelo Jornal, ao Instituto Patrícia Galvão e executada pelo instituto Ipsos-Ipec, com o patrocínio da Assembleia Legislativa do Ceará (Alece).

O estudo foi dividido em três etapas: pesquisa qualitativa com entrevistas em profundidade com especialistas envolvidos com direito das mulheres e violência contra a mulher; pesquisa qualitativa que ouviu mulheres com 16 anos e mais (grupos de discussão) e pesquisa quantitativa com 2.032 entrevistas em 77 municípios, entre os dias 1º e 14 de outubro de 2025.

O objetivo do levantamento é identificar e compreender os medos e inseguranças das mulheres cearenses de modo geral e em diversos espaços, como casa, trabalho, escola, ruas, transporte público e, ainda, no ambiente virtual.

Com informações do Diário do Nordeste.