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| Foto Fabiane de Paula. |
Morador do Siqueira, estudante de escola pública no Bom Jardim, filho de motorista e diarista: não foram poucas as vezes em que Mateus Rodrigues de Freitas escutou que Medicina não era para ele. Felizmente, a vida pode provar o contrário e, quando assim o faz, capricha em todos os aspectos.
Egresso da Escola de Ensino Fundamental e Médio Dona Júlia Alves Pessoa, o jovem de 17 anos é evidência concreta dessa tese ao ser aprovado na Universidade Federal do Ceará (UFC) no exato curso que, na visão de muitos, parecia impossível de alcançar.
O início das aulas acontece no segundo semestre deste ano. Até lá, Mateus tem partilhado a própria trajetória e sente orgulho dela. Inspira outros a seguir na mesma direção.
“É o início de uma nova vida, de uma caminhada totalmente diferente da que eu venho cursando. Se Deus quiser, creio que serei um bom profissional”, torce. A fala, dita com esperança e humildade, é apenas parte de uma série de detalhes reunidos por ele ao longo do caminho. No começo da estrada escolar, recorda, não era muito íntimo dos estudos.
Apenas no fim do segundo ano do Ensino Médio, em dezembro de 2024, começou realmente a se dedicar com foco no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e em outros vestibulares. Medicina, até então, mal entrava no radar. A dúvida primeira era entre Psicologia e Ciências Biológicas. “Não tinha noção da minha capacidade”.
Conforme o tempo passou e a vontade de superação cresceu, o desejo de se tornar médico surgiu. Pesquisas, leituras, atenção redobrada nas aulas e professores “espetaculares”, na visão do estudante, contribuíram para o desenvolvimento intelectual dele. Mateus nunca fez curso preparatório. Baseou-se somente em aulas regulares e videoaulas no YouTube.
Um passo essencial na jornada, contudo, foi o divisor de águas para que Medicina se tornasse certeza: a aprovação para a segunda fase do vestibular da Universidade Estadual do Ceará (Uece), no intuito de ingressar no almejado curso, após excelentes resultados em simulados na escola.
O triunfo, conforme conta, foi mais para “ver o que podia acontecer”. “A escola ficou muito feliz, mas meu foco sempre foi o Enem”, sublinha. O jovem chegou a ganhar uma bolsa integral em um grande colégio privado de Fortaleza, mas, antes que pudesse aceitar, o resultado da prova mais esperada chegou e surpreendeu.
Estava dentro de um ônibus, a caminho de casa, quando soube que Medicina agora seria realidade, mergulho e honra.
Com informações do Diário do Nordeste.
