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| Foto Beth Santos/Secretaria-Geral da PR |
O Ceará ficou fora dos planos do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para a expansão de linhas de escoamento de energia até 2031. Isso pode prejudicar a atração de novos projetos intensivos em consumo de energia, como os data centers que o governo estadual quer estimular.Confira os assuntos econômicos no Ceará, no Brasil e no Mundo
A informação consta no Planejamento Elétrico de Médio Prazo (PAR/PEL) 2026, abrangendo o ciclo 2027-2031. O plano é revisado trimestralmente e ainda pode trazer mudanças, apesar do cenário atual desfavorável.
No documento, não há margem de mais escoamento de geração em nenhum estado do Nordeste. A principal região contemplada é o Sul, que tem expansões programadas de até 1.200 megawatts (MW) ao longo dos próximos anos. Norte, Centro-Oeste e Sudeste também devem receber novas margens dentro do planejamento.
Vale explicar que o plano já considera usinas autorizadas, deixando a região de fora da possibilidade de novos projetos.
A falta de novas linhas de transmissão é prejudicial não somente para a prospecção de projetos consumidores, mas também para usinas de produção já instaladas no Estado. É o caso, por exemplo, de plantas de energia solar e eólicas, que têm seus picos de produção durante o dia.
Atualmente, produtores têm que reduzir a capacidade produtiva para não sobrecarregar o Sistema Nacional Interligado (SIN). Uma expansão nas linhas de transmissão no Nordeste poderia, contudo, dar mais segurança para o sistema, já que na região se situam alguns dos principais produtores do País.Acompanhe mais notícias de Economia no Linkedin do O Povo
Marília Brilhante, diretora da Energo Soluções em Energias, lembra que hoje já são feitos cortes forçados de geração de energia renovável (eólica/solar) pelo ONS porque a produção local supera a capacidade de transmissão, processo conhecido como "curtailments”.
Mas, mesmo se não houvesse esses cortes, a demanda necessária para abastecer novos projetos eletrointensivos que poderiam pleitear instalação no Ceará é muito superior à capacidade atual. O que demandaria novas usinas de geração de energia e, consequentemente, linhas de transmissão.
A diretora lembra que qualquer indústria em processo de instalação precisa apresentar um projeto de carga, detalhando quanta energia pretende consumir. Apesar disso, não seria simples aproveitar a energia que “sobra” em novos projetos, já que a carga demandada por plantas eletrointensivas seria bem maior que o excedente atual.
“O que acontece é que no planejamento que o ONS colocou para até depois de 2031 não só o Ceará, mas o Nordeste inteiro não vai ter capacidade para novas usinas de geração de energia”, diz.
Marília comenta que, embora seja possível uma revisão do plano do ONS após a solicitação e investimentos de novos projetos eletrointensivos, o processo poderia desestimular possíveis investidores.
"Ou eles vão ter que esperar eternamente até aparecerem essas novas linhas, o que acaba retirando o interesse dos investidores pela região, ou eles vão ter que solicitar e criar linhas próprias, o que acaba encarecendo ainda mais. É uma trava para o desenvolvimento do Ceará e do Nordeste como um todo", conclui a especialista.
Na avaliação de Luís Carlos Queiroz, presidente do Sindicato das Industrias de Energia e de Serviços do Setor Elétrico do Estado do Ceará (Sindienergia), a combinação de fatores no cenário regulatório pode colocar em risco os trabalhos de transição energética, que impacta a viabilidade de novas usinas de energia renovável.
"Há o risco de comprometermos o ritmo da transição energética e de desestimular investimentos em um setor que demandou grande esforço da sociedade para ser estruturado, além de perdermos oportunidades de aproveitar de forma plena nossos abundantes recursos naturais de sol e vento", declarou.
Com informações do O Povo.
