quarta-feira, 4 de março de 2026

Idoso cearense caminha 54 quilômetros em romaria como prova de amor à esposa e a Padre Cícero

Foto Arquivo pessoal.
Osmundo José da Cruz não carrega o mundo no próprio nome à toa. Age como se fosse gigante. Aos 86 anos de idade, atravessa 54 quilômetros a pé madrugada adentro para reverenciar quem intercede a Deus pelo bem-estar de todos e honrar a saudade habitante do peito. O nome da falta é a esposa, Maria Ivete Leite da Cruz.

Falecida há 17 anos, foi o grande amor do cearense morador de Jardim, Sul do Ceará. Com ela, alicerçou a família de três filhas, seis netos e um bisneto. Ocupou casa, enxergou esperança, gostou de estar vivo. A partida da mulher fez nascer no homem a vontade de promover alguma coisa para que o vazio não dominasse, para que fosse para longe.

Uma romaria pareceu a homenagem perfeita. Ele assim o fez e faz. No último mês de dezembro, reuniu mais de 400 pessoas em direção a Juazeiro do Norte com toda a coragem e resistência que a missão impõe. No mundaréu de gente, havia aquele senhor alegre e muito destemido caminhando até a mansão maior do fervor.

“Durante a caminhada, eu rezo, converso com as pessoas na estrada… Nunca nem encostei num carro pra beber água, quem pega é meu povo”, conta com a simplicidade de um orgulho tímido.

Essa história começa muito antes, porém, no convívio sobretudo com a avó. Seu Osmundo recorda a fé dela, a entrega. Dizia que o Padim Ciço era milagroso. “Quando eu era menino, fui pegando intimidade com isso, e hoje também tenho essa fé grande nele”.

Anos depois, um amigo fez promessa ao homem santo, alcançou graça e tratou de cumprir a promessa de ir a Juazeiro. O jovem Osmundo acompanhou-o em uma dessas e pegou gosto. Não à toa, mesmo quando o colega não quis mais ser fiel ao compromisso, continuou indo e não parou mais. A partida da esposa acendeu nele um gosto diferente de prestar culto, e assim passou a chamar a família para também acompanhá-lo.

O que começou com 16 romeiros, hoje ostenta mais de quatro centenas de corações. Gente que foi se achegando porque gostou daquele movimento familiar de seu Osmundo. Na estrada, ele é o último, fechando o pelotão, porque acha ruim “deixar alguém pra trás”. “Posso chegar mais tarde que os outros, mas quero chegar com o derradeiro”.

Com informações do Diário do Nordeste.