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| Foto Reprodução/TV Verdes Mares |
Ansiedade, aflição e medo são os sentimentos que resumem a rotina da atleta cearense de handebol Elaine Gomes, que mora e trabalha na cidade de Asdode, em Israel. Com o início do conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, a profissional teve sua vida completamente alterada.
Em entrevista ao Bom dia Ceará nesta quarta-feira (4), ela conta que antes mantinha uma rotina rigorosa de atleta profissional: acordava entre 6h e 8h, ia para a academia, estudava e realizava um segundo treino à noite, além de manter uma alimentação regrada.
Com o início das mortes e explosões, o treino de alto rendimento deu lugar a uma corrida ao redor do prédio onde mora, com o intuito único de preservar a saúde mental. O foco agora, segundo a atleta, é ficar bem e retornar a Fortaleza, cidade natal.
"Nesse momento estou na sacada do prédio e, aparentemente, está tudo bem na minha cidade. Asdode está longe dos ataques, [diferente] de Tel Aviv e Jerusalém. Eu vim aqui para fazer meu trabalho, continuar jogando handebol, ganhar meu dinheiro e, do nada, hoje é o quarto dia de guerra, estou aqui nessa situação", relata a brasileira.
Em Israel desde agosto do ano passado, quando foi participar de competições e melhorar seu rendimento, a jovem mantém contato frequente com a família, atualizando sobre o conflito e seu bem-estar. Depois de três dias em casa confinada, ela saiu pela primeira vez em seu bairro nesta terça (3), e observou supermercados e academias abertos.
Embora a academia conte com um bunker, estrutura fortificada para proteção bastante comum em Israel, a atleta prefere optar por atividades em casa. Elaine tem cerca de um jogo por semana de handebol e conseguiu vaga para jogar a final da Copa de Israel.
"Estou pensando na minha saúde mental, não estou pensando em campeonato, nada do tipo. Ficar aqui nessa aflição, esperando a sirene, esperando o alarme, vai me deixar doente. Desde o primeiro dia de guerra, eu tentei entrar em contato com a embaixada [brasileira], mas eles não me responderam até agora. Meu objetivo é sair daqui. Imagina você estar vivendo isso pela primeira vez e pensar 'Vou para academia treinar, mas quando a sirene tocar vou para o bunker'. Eu não estou conseguindo lidar ainda com isso, sabe?", desabafa.
Com informações do G1 Ceará.
