terça-feira, 3 de março de 2026

Famílias coletam comida em lixo descartado por supermercado em Fortaleza

Foto Thiago Gadelha.
A fome retrocedeu, o Brasil saiu do vergonhoso mapa de nações onde falta comida suficiente para grande parte da população. Apesar disso, o problema grita como uma doença silenciosa: em um bairro nobre de Fortaleza, por exemplo, famílias são flagradas diariamente coletando alimentos no lixo descartado por um supermercado.

Todos os dias, no horário do almoço, o caminhão de coleta estaciona, e parte do conteúdo dos tambores transportados do estabelecimento ao veículo é interceptada por homens e mulheres em busca de frutas, legumes, cereais e até restos de carnes que possam reaproveitar.

As cenas, nas quais aparecem até crianças de colo, foram registradas em vídeo por moradores e enviadas ao Diário do Nordeste.

Na sexta-feira (27), a reportagem esteve no local e constatou a situação. “Todo dia eles trazem e a gente pega pra comer. Vem pão, verdura, às vezes arroz. Ando aqui faz é tempo”, narra Maria (nome fictício), 51, enquanto divide com um homem em situação de rua as carcaças e peles de frango, ignorando as incontáveis moscas que orbitam o conteúdo.

Naquele dia, ela levaria para casa, além da ossada, um saco com dezenas de pães carioquinhas, tão grande que dividiria com vizinhos. Segundo a dona de casa, já são “mais de 20 anos” percorrendo mercantis em busca das sobras para complementar a feira.

“Esse alimento aqui me ajuda e muito, é muito importante. Eu recebo Bolsa Família, mas vai todo pro aluguel”, explica a mulher, que afirma não conseguir mais emprego desde que iniciou um tratamento de câncer de colo de útero.

Antes, ela trabalhava como auxiliar de cozinha, ofício que a ensinou a aproveitar o máximo dos alimentos. “Essas ‘carnezinhas’ eu boto no feijão, levo pra minha mãe também. E a gente também bota pro cachorro. Não vou mentir: vivo disso aqui. Não tenho vergonha de dizer não. Criei meus cinco filhos sozinha, aproveitando essas comidas”, sentencia.

Com informações do Diário do Nordeste.