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| Foto Reprodução/Karla Saraiva |
“São ventanias fortes que fazem a água se agitar e geram essas ondas maravilhosas. Fica lindo demais aqui no Barrocas.” A frase é do pescador Evanilson Saraiva, de 63 anos, e traduz o misto de encanto e respeito que, no último domingo (8), tomou conta de quem vive às margens do Açude Orós, o segundo maior reservatório do Ceará.
Moradores da comunidade ribeirinha do Sítio Barrocas, no distrito de Alencar, em Iguatu - por onde se estende o Açude -, assistiram a um cenário incomum: ondas altas, água agitada e rajadas de vento intensas transformaram a paisagem normalmente serena do reservatório em algo que muitos compararam a um “mar revolto”. Vídeos gravados por moradores circularam rapidamente nas redes sociais, chamando a atenção para a força do fenômeno.
A pescadora Sousenilda Martins, de 46 anos, estava no açude quando a ventania começou, por volta das três da tarde. A casa dela fica a cerca de 40 metros da margem do Açude Orós. Ela contou, em entrevista ao Diário do Nordeste, que nunca tinha visto algo tão forte.
Segundo Sousenilda, não chovia no momento, havia apenas neblina, mas o vento ganhou velocidade rapidamente e, em poucos minutos, as ondas já estavam altas. O medo não era apenas pela água agitada, mas pelo risco de acidentes com embarcações e até com a fiação elétrica nas proximidades.
Ela relata que galhos de árvores caíram e algumas casas tiveram telhas deslocadas. As cordas que prendiam canoas começaram a ceder com a força do vento, e os pescadores evitaram atravessar o açude durante a ventania e aguardaram a situação se acalmar. "O medo foi grande. Num momento como esse, a gente entra para dentro e fica quietinho”, conta.
Com informações do Diário do Nordeste.
