quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Ondas de calor estão 9 vezes mais frequentes e ameaçam o futuro do clima no Ceará

Foto Natinho Rodrigues.
A emissão de gases do efeito estufa por atividades humanas é o principal motor das mudanças climáticas que já transformam o cotidiano do Ceará e do mundo. Gases como o dióxido de carbono (CO2), o metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O) conseguem reter calor na atmosfera, provocando o aquecimento global e alterando padrões climáticos. Ondas de calor, por exemplo, se tornaram quase nove vezes mais frequentes na escala global.

No Ceará, caso não sejam tomadas medidas de mitigação dos impactos nas próximas décadas, as alterações devem influenciar na ampliação de dias mais secos, maior irregularidade na distribuição de chuvas e aumento da temperatura média, até mesmo em áreas serranas.

O alerta é de Alexandre Costa, professor da Universidade Estadual do Ceará (Uece) e ex-gerente do Departamento de Meteorologia e Oceanografia da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). O especialista palestrou no lançamento do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Ceará, pela Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima (Sema), na última quarta-feira (11).

Segundo Alexandre, o mundo está à beira de ultrapassar o limite de 1,5°C de aquecimento global – meta internacional central do Acordo de Paris, desde 2015 – devido às atividades humanas e se aproxima de um ponto de não-retorno, quando as mudanças se tornam irreversíveis. Em 2025, esse valor chegou a 1,44ºC.

O reflexo mais imediato, alarmante e notável é a multiplicação de eventos extremos. Costa destaca que ondas de calor, que naturalmente ocorreriam apenas uma vez a cada 50 anos, estão “quase nove vezes mais frequentes” com o nível atual de aquecimento. Temperaturas mais altas podem se tornar letais, com mortes já registradas em países da Europa.

Projetando o perfil do Ceará até o ano 2100, o professor aponta dois caminhos distintos baseados em cenários de emissões. No pior cenário, em que o uso de combustíveis fósseis permanece alto e medidas de mitigação não são tomadas, a temperatura média do Estado pode ficar acima de 30°C em quase todo o território. Até mesmo áreas de serra passariam a ter médias superiores a 27°C.

Quanto às chuvas, embora o volume total médio possa não sofrer uma redução drástica (queda de 3% no pior cenário), a distribuição será o problema central. As projeções indicam mais água ao norte e uma redução visível de chuvas na porção sul do Ceará, área onde ficam grandes reservatórios que abastecem a população. Isso pode tornar o Estado ainda mais dependente da Transposição do Rio São Francisco.

Com informações do Diário do Nordeste.