terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Como o crescimento do endividamento afeta os idosos no Brasil e no Ceará

Foto pikselstock/shutterstock
O fenômeno do endividamento entre a população idosa não é apenas um assunto de relevância nacional e global — ele tem também marcas muito concretas no Estado do Ceará, refletindo a combinação entre envelhecimento populacional, dificuldades econômicas e questões estruturais do crédito e da renda.

No Brasil, o endividamento entre idosos cresce mais rapidamente que a população

A realidade brasileira também sinaliza crescimento expressivo do endividamento na terceira idade. Dados da Serasa Experian mostram que o número de idosos inadimplentes aumentou fortemente na última década: de cerca de 4,3 milhões em 2015 para aproximadamente 14,5 milhões em abril de 2025 — um crescimento muito superior ao do aumento da população idosa no mesmo período.

Estima-se que quase metade dos brasileiros com mais de 60 anos esteja endividada, em grande parte devido à divergência entre renda e custo de vida. Aproximadamente 40% desse grupo estão em situação de inadimplência, proporção maior do que a registrada em faixas etárias mais jovens.

O cenário é especialmente grave em grandes estados brasileiros. Em São Paulo, mais de 3,3 milhões de idosos estavam com dívidas em atraso até 2025, refletindo um aumento de mais de 600 mil pessoas em poucos anos.
Tornando visível o problema no Ceará

Embora não existam estatísticas estaduais detalhadas exclusivamente sobre idosos endividados, sabemos que:

Mais de metade (51,55%) dos cearenses adultos encerraram 2025 com dívidas em atraso, segundo dados divulgados pela Serasa, que representam aproximadamente 3,4 milhões de pessoas com nomes negativados. Esses números refletem uma realidade que certamente alcança também a faixa etária dos idosos, ainda que não detalhada por idade na fonte disponível;

O endividamento por emprestar o nome a terceiros é particularmente elevado no Ceará, sendo o maior índice do Brasil (32,1% da população), de acordo com pesquisa da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box.

Esse fator, que ocorre quando uma pessoa assume responsabilidade por uma dívida de outra, é uma causa importante de inadimplência em todas as idades e especialmente sensível entre idosos que podem ser pressionados por familiares ou conhecidos a assumir compromissos financeiros.

Em Fortaleza, capital do estado, mais de 1,2 milhão de pessoas estavam inadimplentes, com dívidas acumuladas de aproximadamente R$ 5,9 bilhões, um volume que englobaria também aposentados e pensionistas que dependem de renda fixa.

Esses dados pintam um quadro em que o Ceará enfrenta um endividamento crescente da população adulta em geral — e, por extensão, dos idosos — com impactos diretos sobre sua sustentabilidade financeira.

Com informações do Diário do Nordeste.