quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Cearense da periferia e sem acesso a celular é o primeiro da família a entrar em universidade pública

Foto Arquivo pessoal.
2026 inicia quebrando um ciclo geracional da família de Eduardo Frutuoso, de 18 anos: morador da periferia de Fortaleza e egresso de escola pública, ele foi aprovado no curso de Engenharia Elétrica na Universidade Federal do Ceará (UFC). O primeiro do sobrenome a ingressar no ensino superior.

A conquista veio das salas de aula da Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) João Mattos, no bairro Montese, e coroa uma trajetória comum a vários jovens periféricos da capital cearense: a insistência por seguir estudando, apesar das diversas vulnerabilidades à espreita.

Para Eduardo, as ameaças à carreira estudantil foram muitas, mas todas rebatidas pela mãe – que, analfabeta, sentenciou que o filho teria outro destino. “Eu dizia que tinha que trabalhar pra ajudar em casa, mas ela sempre colocou na minha cabeça que eu tinha que estudar muito. Coisa de mãe. Tenho que agradecer a ela”, reconhece.

Coisa de mãe, então, entra na cabeça e no peito. No último ano do ensino médio, o cotidiano de Eduardo seguiu o conselho à risca, sendo investido entre os muros da escola. “Eu passava o dia todo lá, focando no Enem e na Uece. Estudava bastante dentro da escola”, conta.

Além do tempo curto, já que tinha aulas em tempo integral e “chegava muito tarde em casa”, outro motivo levava o jovem a restringir o estudo mais intenso ao ambiente fora de casa: sem celular, ele usava o tablet e os dispositivos escolares para fazer pesquisas.

“Eu tinha o tablet que a escola dava, não tenho celular. Pra estudar ou pesquisar, era só no colégio ou pedindo a algum conhecido”, relata, por meio do telefone do coordenador escolar, usado para conceder esta entrevista.

Com a aprovação e todos os documentos “embaixo do braço”, então, Eduardo seguiu para a escola, nesta terça-feira (3), para realizar a pré-matrícula no curso no qual planejou, desde cedo, ingressar.

“Eu tava entre Engenharia Mecânica e Elétrica, e acabei optando pela Elétrica. Sempre gostei de automóveis, carros, motos, sempre envolvendo a parte elétrica. Meu irmão também sempre gostou de mexer com aparelhos eletrônicos, acabei herdando a paixão”, explica.

Com informações do Diário do Nordeste.