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| Foto Cid Barbosa |
As poucas chuvas na pré-estação cearense, período que ficou 37% abaixo da média histórica, já refletem em um indicador preocupante para o Estado: 68 cidades voltaram à situação de seca extrema, o pior cenário do Ceará desde fevereiro de 2019.
A informação é do Monitor de Secas, divulgado mensalmente, e que tem a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) entre as instituições estaduais autoras dos mapas.
A plataforma classifica a ocorrência de seca em cinco níveis:
S0 - seca fraca;
S1 - seca moderada;
S2 - seca grave;
S3 - seca extrema;
S4 - seca excepcional.
O levantamento de janeiro de 2026 mostra o retorno do segundo nível mais severo de seca ao território do Ceará, a extrema, o que não ocorria há sete anos.
Além das cidades cearenses nessa situação, outras 28 têm cenário de seca grave (S2), 87 estão em seca moderada (S1), e uma – Paracuru, na Grande Fortaleza – tem nível de seca fraca (S0).
O monitor aponta que o Ceará apresenta algum nível de seca em cada município desde julho de 2023. A seca excepcional, porém, a mais severa, não atinge nenhuma localidade cearense desde janeiro de 2018.
No Ceará, além das poucas chuvas nos últimos 9 meses, outro fator interfere no avanço da seca: as altas temperaturas, como explica Francisco Vasconcelos Júnior, pesquisador da Funceme. “Elas favorecem a evaporação, geram um estresse para a vegetação e trazem impacto. Seca é impacto”, frisa.
Em todo o Nordeste, as secas grave e extrema recuaram em apenas dois estados, no mês passado: Bahia (parcialmente) e Piauí. Por outro lado, além do Ceará, houve avanço da seca extrema em Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte; da grave em Alagoas, Sergipe e Bahia; e da moderada no Maranhão e no litoral leste do nordeste.
Segundo semestre preocupa
A expectativa é que a quadra chuvosa, iniciada neste mês de fevereiro e estendida até maio, ajude a atenuar a situação e recuar a seca no território cearense, uma vez que há precipitações e redução das temperaturas em diversas localidades.
A preocupação, contudo, deve se manter no segundo semestre. “Em fevereiro isso vai ser atenuado, devido às precipitações que ocorreram na parte mais central e sul do Estado. Mas no extremo norte e na parte mais leste da região Jaguaribana isso (seca) deve se manter”, situa o pesquisador.
“De fato, é algo que, mesmo que na condição atual seja atenuado, existe uma preocupação grande para o segundo semestre, com impactos de secas em reservatórios do estado, vários abaixo de 30%, e também com impacto na vegetação”, complementa.
Hoje, apenas cinco açudes cearenses monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) têm volume acima de 90%:Curral Velho, em Morada Nova, com 91,5%;
Tijuquinha, em Baturité, com 90,3%;
Cachoeira, em Aurora, com 92,5%;
Olho d'água, em Várzea Alegre, com 95,1%;
São José III, em Ipaporanga, com 91,1%.
Outros 39 reservatórios amargam volumes abaixo de 30%, incluindo o Castanhão, o maior do Estado, que possui 20,3% da capacidade preenchidos.
Com informações do Diário do Nordeste.
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