terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Orelhões começam a ser retirados das ruas brasileiras; no Ceará, há 282 aparelhos em funcionamento

Foto Daniel Galber
Durante décadas, eles testemunharam notícias urgentes, histórias de amor, relatos de saudades e chamadas feitas às pressas. Agora, os Telefones de Uso Público (TUP), popularmente conhecidos como orelhões, caminham para uma despedida definitiva das ruas brasileiras. 

Na quarta-feira passada, 21, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) anunciou que as concessionárias de telefonia, que operavam por meio de um serviço público, passaram a operar no regime privado, como prestadoras autorizadas. Agora, elas não têm mais a obrigação formal de manter esses equipamentos em funcionamento no País.

Durante décadas, especialmente entre os anos 1970 e o início dos anos 2000, os orelhões desempenharam um papel central na comunicação da população. Em um período em que os telefones fixos residenciais ainda não eram amplamente difundidos e os celulares praticamente inacessíveis, esses equipamentos permitiam o contato entre familiares, amigos e serviços, inclusive para chamadas interestaduais.

Segundo o professor e historiador Evaldo Lima, por volta da década de 1970, o telefone era um item considerado de luxo. Assim, a popularização dos orelhões se tornou um marco da democratização da comunicação no Brasil.



“No Ceará, isso é ainda mais significativo, porque a gente associa muito o orelhão às praças centrais, como, por exemplo, a Praça do Ferreira, ou então às rodoviárias. O orelhão era o elo entre Fortaleza e os sertões”, aponta o especialista.

O historiador destaca que, em determinadas localidades, se faziam festas para comemorar a chegada de um telefone público. “Principalmente em bairros periféricos ou cidades do interior. Era uma conquista da comunidade e, muitas vezes, também uma conquista política”, afirma Evaldo Lima.

Apesar da perda de usuários com a popularização dos telefones móveis, atualmente ainda resistem no Brasil cerca de 38,3 mil orelhões, conforme dados da Anatel. A estimativa é que, até o fim de 2028, continuem a ser mantidos no país apenas 9 mil orelhões em funcionamento. Até lá, as empresas devem manter o serviço de voz, inclusive por orelhões, onde não há telefonia móvel.

No Ceará, 118 municípios ainda mantêm 462 aparelhos, dos quais 282 estão em atividade e 180 constam como “em manutenção”. Confira os municípios:

Acaraú, Acopiara, Aiuaba, Altaneira, Alto Santo, Amontada, Antonina do Norte, Apuiarés, Aracati, Aracoiaba, Ararendá, Araripe, Aratuba, Arneiroz, Assaré, Banabuiú, Baturité, Beberibe, Bela Cruz, Boa Viagem, Brejo Santo, Camocim, Campos Sales, Canindé, Capistrano, Caridade, Cariré, Caririaçu, Cariús, Carnaubal, Cascavel, Catarina, Catunda, Caucaia, Chaval, Choró, Coreaú, Crateús, Crato, Croatá, Ererê, Farias Brito, Forquilha, Fortim, General Sampaio, Graça, Granja, Granjeiro, Guaraciaba do Norte, Ibaretama, Ibiapina, Ibicuitinga, Icó, Independência, Ipaporanga, Ipu, Ipueiras, Irauçuba, Itapajé, Itapipoca, Itapiúna, Itarema, Itatira, Jaguaretama, Jaguaribara, Jaguaribe, Jaguaruana, Jati, Jijoca de Jericoacoara, Madalena, Marco, Martinópole, Massapê, Mauriti, Milagres, Milhã, Miraíma, Missão Velha, Mombaça, Monsenhor Tabosa, Morada Nova, Novo Oriente, Ocara, Pacatuba, Palhano, Parambu, Paramoti, Pedra Branca, Pentecoste, Pereiro, Piquet Carneiro, Poranga, Porteiras, Potiretama, Quiterianópolis, Quixadá, Quixelô, Quixeramobim, Redenção, Russas, Saboeiro, Salitre, Santa Quitéria, Santana do Acaraú, Santana do Cariri, Senador Sá, Sobral, Solonópole, Tabuleiro do Norte, Tamboril, Tarrafas, Tauá, Tejuçuoca, Trairi, Umirim, Uruoca, Várzea Alegre e Viçosa do Ceará.

Com informações do O Povo.