quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Orelhões começam a desaparecer das ruas do Ceará

Foto Site Revista Central
A retirada progressiva dos orelhões das ruas do Ceará, efeito de mudanças na regulamentação das telecomunicações, também reflete uma transformação no cotidiano das cidades do Sertão Central, como Quixadá, Quixeramobim, Ibaretama e Banabuiú, onde os tradicionais telefones públicos ainda estavam presentes nos últimos anos.

Os Telefones de Uso Público (TUP), popularmente conhecidos como orelhões, foram um símbolo marcante da comunicação no Brasil durante décadas, principalmente antes da ampla adoção dos celulares. Em janeiro de 2026 começou a retirada desses aparelhos das vias urbanas, após a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) retirar a obrigação das operadoras de telefonia de mantê-los em funcionamento.

No Ceará, ainda há 462 orelhões registrados em 118 municípios – dos quais 282 estão ativos e 180 constam como “em manutenção” –, incluindo diversas cidades do interior, muitas das quais no entorno do Sertão Central. Quixadá, por exemplo, aparece entre os municípios onde os aparelhos ainda constavam no cadastro oficial, assim como Quixeramobim, Banabuiú, Ibaretama, Milhã e Solonópole.

Para moradores da região, os aparelhos públicos eram mais do que uma tecnologia: representavam uma conexão social e, por vezes, uma necessidade de comunicação em localidades onde a cobertura de telefonia móvel demorou a chegar. Em cidades menores do Sertão Central, os orelhões não só possibilitavam ligações, como também eram pontos de encontro e referência territorial para muita gente.

A mudança foi impulsionada pelo fim da fase de serviços públicos das concessionárias de telefonia fixa, que agora operam sob o regime de autorizadas. Com isso, não há mais obrigação legal de manter os TUP nas ruas, embora a Anatel exija que a conectividade por voz seja garantida em locais sem cobertura de celular até pelo menos 2028.

Especialistas em história da comunicação destacam que, apesar da relevância cultural e social desses equipamentos, o avanço tecnológico e a popularização dos telefones celulares tornaram os orelhões cada vez menos utilizados. Ainda assim, para muitos sertanejos — especialmente os mais idosos — a ausência dos aparelhos é sentida com nostalgia, representando o fim de um capítulo importante da vida comunitária nas cidades do interior cearense.

Com informações do Site Revista Central.