quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Filho de mecânico e vendedora, aluno de escola pública do Ceará é aprovado em medicina no Sisu

Foto Reprodução 
O jovem Miguel Arcanjo Alves Freitas, de 18 anos, tentou dormir na madrugada desta quinta-feira (29), mas não conseguiu. A ansiedade para saber o resultado do Sisu impediu qualquer possibilidade de sono. A madrugada, no entanto, se iluminou de forma singular: ele foi aprovado em medicina na Universidade Federal do Ceará (UFC).

“Eu estava um pouco preocupado antes, porque eu não sabia ao certo se eu ia passar. Mas, quando saiu o resultado, eu fiquei, primeiramente, em choque. Eu fiquei um pouquinho perplexo. E depois, eu fiquei muito feliz. Eu até me emocionei um pouco no meu quarto. E me senti realizado”, disse o futuro médico.

A primeira pessoa para quem ele contou sobre a aprovação foi a irmã, que também estuda medicina na Universidade Federal do Ceará — era a única acordada na casa às 2h30 da madrugada. Eles moram no bairro Jacarecanga, na periferia de Fortaleza, com os pais: um mecânico de compressor pneumático e uma operadora de caixa em uma loja de calçados.

“Eles dois fizeram somente o ensino médio. É uma realização grande para a família ter os dois filhos cursando medicina”, destacou Miguel.

Miguel, que tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), estudou quase toda a vida em escolas públicas, desde o quinto ano do ensino fundamental. Em 2025, ele concluiu o ensino médio na Escola de Ensino Médio Dr. César Cals, no Centro da capital. Além das aulas pela manhã, Miguel estudava também à tarde e à noite em um cursinho pré-vestibular.

“Eu nunca fui uma pessoa muito de estudar, mas principalmente no terceiro ano, eu decidi pegar firme, e [a rotina de estudos] era o dia todo. Eu saía de casa mais ou menos umas 5h, 6h da manhã, porque eu ia primeiro para o colégio, César Cals. Depois, eu ia para o cursinho que o próprio colégio me ofereceu”, lembrou o jovem.

Na reta final da preparação, ele tinha aula das 7h da manhã (na escola) até quase 22h, no cursinho. Mesmo chegando tarde em casa, ele não perdia nenhuma aula na manhã seguinte. “Eu nunca faltava. Nunca fui te faltar. Eu tinha muito medo de perder matéria”, disse Miguel.

Com informações do G1 Ceará.