quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Educação no trânsito ajuda a reduzir em quase 25% os atropelamentos no Ceará

Foto Natinho Rodrigues/ Detran
Era um bonito dia de domingo quando a publicitária e roteirista Liduína Moura, 60, resolveu sair de casa, na Praia do Futuro, para dar uma volta no calçadão. Seria um passeio comum para iniciar a semana de trabalho se não fosse a imprudência de um motorista embriagado.

Liduína foi atropelada no último dia 10 de agosto, quando terminava de atravessar a Avenida Dioguinho, a poucos metros de alcançar a calçada. O impacto foi tão forte que ela quase perdeu os sentidos. Não se lembra nem da cor do carro do motorista, que fugiu após deixá-la na UPA localizada na mesma avenida.

A história de Liduína passou a integrar as estatísticas dos sinistros de trânsito envolvendo pedestres no Ceará. Dados do Departamento Estadual de Trânsito do Ceará (Detran-CE) ajudam a dimensionar esse cenário e também indicam uma redução recente no número de ocorrências no Estado.

Sinistro de trânsito é o termo que substitui “acidente de trânsito”, adotado pela ABNT, e se refere a eventos em vias públicas ou áreas abertas ao público que causem danos materiais, lesões a pessoas ou animais, ou prejuízos ao trânsito, envolvendo ao menos um veículo em movimento.

Entre janeiro e dezembro de 2024, foram registrados 710 sinistros envolvendo pedestres no Ceará. Já no mesmo período de 2025, o total caiu para 538 casos, uma redução de 24,2% que, apesar de significativa, não elimina a gravidade da situação, sobretudo quando se observa o impacto humano desses sinistros, marcado por mortes e lesões graves.

Ainda de acordo com o levantamento do Departamento Estadual de Trânsito, em 2024, 116 pedestres morreram no Ceará após serem atropelados e outros 158 ficaram gravemente feridos. Em 2025, mesmo com a queda no total de ocorrências, ainda foram registradas 88 mortes e 111 feridos graves, o que revela que atravessar vias urbanas e rodovias estaduais segue sendo uma experiência de alto risco para quem anda a pé.

No caso de Liduína, foram quase dois meses de internação no Instituto Dr. José Frota (IJF), três cirurgias, um enxerto e a amputação de dois dedos. Cinco meses depois, Liduína ainda se recupera do sinistro de trânsito e relata a sensação de impotência diante dos fatos.

“Estou na casa da minha mãe me recuperando, ainda estou com a mobilidade reduzida e com uma grande sensação de insegurança de voltar a andar na rua. Tem a questão física e a emocional também. Nós, como pedestres, temos que ficar atentos, mas quem está dirigindo está com uma arma na mão, é uma máquina de matar”, conta, ainda abalada.

Com informações do O Povo.