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| Foto Antonio Rodrigues/SVM. |
Uma janela para a história do planeta de milhões de anos atrás está aberta no interior cearense. É a Floresta Petrificada do Cariri, um conjunto de árvores fósseis no município de Missão Velha, a mais de 530 km de Fortaleza, que é testemunha de quando o Ceará ainda era ligado à África, no “supercontinente” Gondwana.
As peças datam de cerca de 145 milhões de anos, dos tempos jurássico e cretáceo, e são resultados de um processo natural que transformou a madeira dos troncos em minerais e rochas. Por meio delas, cientistas fizeram diversas descobertas e “reconstruíram” digitalmente como era a paisagem cearense na época.
Há florestas petrificadas em outras partes do Brasil, mas no Ceará elas se concentram na Região do Cariri, na Bacia e na Chapada do Araripe, com áreas importantes próximas aos municípios de Missão Velha e Brejo Santo, explica a paleobotânica Domingas Maria da Conceição.
Domingas é pesquisadora visitante do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens (MPPCN), da Universidade Regional do Cariri (Urca), e autora de artigo científico publicado em 2025 que descreve uma espécie fóssil inédita para a ciência no mundo: a Metapodocarpoxylon brasiliense, encontrada na floresta cearense.
O trabalho também registra pela primeira vez no Brasil a presença da espécie Agathoxylon mendezii, madeira fóssil de conífera extinta. Antes do estudo, a ocorrência dela era conhecida apenas na Patagônia, na Argentina. A relevância da “Formação Missão Velha” para a ciência, portanto, é incontestável.
Com informações do Diário do Nordeste.
