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| Foto Fabiane de Paula |
A parcela de estudantes da rede pública cearense que termina o Ensino Fundamental (EF) com desempenho “muito crítico” ou “crítico” em matemática teve redução entre 2023 e 2024. Porém, eles continuam representando mais da metade dos alunos. Esse resultado reflete uma série de problemas, da vulnerabilidade social em que vivem muitos desses estudantes até falta de estrutura adequada para o aprendizado.
Se em 2023 o Estado tinha 59% dos estudantes do 9º ano do Ensino Fundamental com desempenho “muito crítico” ou “crítico” na disciplina, em 2024 essa proporção passou para 53%, segundo a Secretaria Estadual da Educação (Seduc).
No ano passado, o Estado teve o melhor resultado desde 2012, início da série histórica analisada pelo Diário do Nordeste. Naquele ano, esses estudantes representavam 75,9% dos alunos da rede pública no 9º ano.
Os dados são do Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (Spaece), avaliação externa que investiga as competências e habilidades dos alunos do Ensino Fundamental e do Ensino Médio em Língua Portuguesa e Matemática.
As informações mais recentes divulgadas pela Seduc apontam que 24% dos estudantes que concluíram o 9º Ano do EF em 2024 atingiram nível “muito crítico” em matemática, enquanto 29% finalizaram a série com nível “crítico”.
Outros 25% dos alunos dessa etapa escolar tinham nível “intermediário” e 22% estavam no nível “adequado”. Somados, os alunos com os melhores desempenhos representam 47% do total desse corpo discente.
A proficiência média dos estudantes do Estado foi de 272 pontos, em uma escala de 0 a 500. Com esse resultado, o Ceará como um todo se enquadra em situação crítica no aprendizado de matemática.
A doutora em Educação Maria José Costa dos Santos, professora associada de Matemática no Curso de Pedagogia da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca três aspectos relacionados a essa dificuldade no aprendizado da disciplina. Um deles é o fato de que, culturalmente, ela tem sido fechada em grupos mais “elitizados”, como se fosse “para poucos, para mentes brilhantes”.
Junto a isso, há questões cognitivas, continua a docente, que é líder do grupo de estudo e pesquisa Tecendo Redes Cognitivas e Aprendizagem (G-TERCOA). Ela explica que a matemática exige concentração e desenvolvimento de raciocínio lógico, e muitas vezes há estudantes com discalculia — que afeta a capacidade de compreender números e conceitos matemáticos — ou outros transtornos “invisíveis” que nem sempre são percebidos.
O outro ponto citado é a situação vulnerável em que muitos alunos da rede pública estão inseridos, com questões familiares e sociais. “Na sala de aula, vamos ter pessoas que muitas vezes não vão ter a menor condição de estudar, porque têm muitas questões familiares em casa que impedem que ele se concentre. E isso faz muita diferença, prejudica muito o processo de ensino e aprendizagem da matemática”, afirma.
Com informações do Diário do Nordeste.
