quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

Os grandes desafios do agro do Ceará ainda são água e energia

Foto Natinho Rodrigues
"O estado tem como crescer. As condições são muito favoráveis. Os grandes desafios são água e energia". A afirmação é do cofundador da Agrícola Famosa, Luiz Roberto Barcelos. Ele é um dos participantes do painel do Agro do Ceará: tecnologia e inovação, no Cresce Ceará. O evento ocorre nesta sexta-feira (6), promovido pelo Diário do Nordeste em parceria com o Banco do Nordeste (BNB) e a Enel.

Segundo Barcelos, a fruticultura no Ceará, por estar no clima semiárido, depende da capacidade de irrigação para produzir. "E para irrigação tem que ter água e para poder tocar os motores você precisa ter energia. Essa é um problema, um desafio no Brasil inteiro. Tem lugares que ainda precisa ter o suprimento melhor de energia e outros que a energia é de baixa qualidade, não é suficiente para a agricultura irrigada".

Ele explica que superados esses dois problemas, o estado tem "tudo para ter boas produções". "Temos bastante mão de obra, clima favorável, solo adequado e porto perto, o que ajuda muito na logística. Por essas questões, acho que o Ceará tem um potencial de crescimento grande".

Sobre a concorrência, o produtor de frutas revela que todos os estados do Nordeste, de certa forma, tem potencial de produção por ter as condições também parecidas com a do Ceará. "Nos destacamos, realmente, por ter o Porto do Pecém muito eficiente, onde já se tem linhas marítimas sendo atendidas".

Ele comenta que o Rio Grande do Norte e o vale do São Francisco, com Bahia e Pernambuco, também se destacam na produção. Já, ao nível internacional, países como Peru, Costa Rica e Honduras se apresentam como concorrentes, principalmente no melão e na melancia. Países do norte da África, que estão mais próximos da Europa, destino da maior parte das frutas do Ceará, também levam vantagem por ter uma logística melhor.

Ainda como desafio para crescimento da produção e dos negócios no campo da fruticultura, Barcelos aponta a legislação de pulverização aérea como um problema sério. "Somos o único estado do Brasil que não se pode utilizar pulverização aérea. Atualmente existe a possibilidade de utilização de drones, que são seguros, mas aqui é proibido. Essa é uma restrição muito grande que prejudica a produção do estado", reforça.

Com informações do Diário do Nordeste.