quinta-feira, 30 de julho de 2020

Com sinais de retomada, construção civil do Ceará está otimista para 2º semestre

Foto José Leomar
Após demonstrar sinais de recuperação dos níveis de atividade, capacidade de operação e empregos em junho, empresários da construção civil no Estado estão otimistas quanto ao desempenho do setor no segundo semestre. Mas o resultado deste mês será decisivo para confirmar a tendência registrada pela Sondagem da Construção, divulgada nesta última quarta-feira (29), pela Federação das Indústrias do Ceará (Fiec).

"O mês de julho vai ser crucial para ver o aquecimento da demanda com a retomada das outras atividades", aponta David Coelho, pesquisador e economista do Observatório da Indústria da Fiec.

Na passagem de maio para junho, o número de empregados na construção cearense apresentou o primeiro resultado positivo desde fevereiro, saltando de 41,7 pontos a 51,4. No País, o índice voltou a sofrer retração e marcou 43,4 pontos. A metodologia considera uma escala de 0 a 100, em que os 50 pontos marcam uma linha divisória entre confiança e falta de confiança.

"A expectativa é que as contratações aumentem, já que houve muitas demissões com a paralisação das atividades", destaca Coelho.

Voltou ao nível pré-pandemia o índice Utilização da Capacidade de Operação (UCO), que atingiu 70% no Ceará, uma alta de 19% comparado ao mês anterior. O índice de nível de atividade efetivo-usual, por sua vez, que indica o quão aquecida está a atividade da indústria da construção, marcou 27,7 pontos, 23,6 pontos a mais que em maio, ainda abaixo do pré-pandemia.

Já o indicador que calcula o nível de atividade do setor avançou de 8,7 pontos em maio para 45 pontos em junho - mesmo sendo um cenário negativo, ocorreu uma desaceleração na queda do índice.

"Apesar de ainda não estar no nível pré-pandemia, o nível de atividade já apresentou uma recuperação. Isso indica que as empresas de construção tiveram uma readequação de sua capacidade", comenta.
Indefinições

O pesquisador pondera, entretanto, que não haverá retomada total do setor no segundo semestre e que o cenário ainda é de muitas incertezas. "A perspectiva desse momento também traz um de aumento das incertezas, de como vai ser a retomada do consumo e dos investimentos".

A intenção dos empresários do setor em aplicar recursos, inclusive, apesar de ter crescido a 44,4 pontos em junho, ainda está em um cenário pessimista.

"A perspectiva é que programas que podem auxiliar essa retomada do setor, a nível estadual e federal, estarão comprometidos pelo maior gasto fiscal e a menor arrecadação, devido à paralisação de várias atividades", diz.

Lançamentos

Confirmando a perspectiva otimista, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), Patriolino Dias, prevê o lançamento de novos empreendimentos ainda neste semestre. Ele ressalta que, com a queda da Selic para 2,25% ao ano e a permanência das pessoas em casa, o desejo de adquirir imóveis foi elevado.

"Quando você diminui os juros, a parcela diminui, nisso você insere várias famílias que tinham o sonho da casa própria. A taxa de juros baixa, faz todo o sentido o mercado imobiliário e por isso estamos otimistas", aponta.

Com informações do Diário do Nordeste.