| O Castanhão chegou a 2,08% da capacidade neste ano e hoje acumula 8,44%. |
Faltando 32 dias para o fim da quadra chuvosa cearense (fevereiro a maio), as precipitações de abril, no que pese a ausência de chuvas significativas no na segunda quinzena, contribuíram sobremaneira para atingir a média histórica. Até ontem, foram 516, 1mm. Segundo os critérios estabelecidos pela Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), é considerado dentro da média da quadra o intervalo entre 505,6 mm a 698,8 mm. A informação é do Diário do Nordeste.
Além das chuvas mais favoráveis, diferentemente do que ocorreu no ano passado, o aporte dos açudes é considerado razoavelmente positivo, levando-se em consideração a realidade vivida nos últimos seis anos no Semiárido. Em 2017, a Funceme registrou, durante a quadra chuvosa inteira, 551.7mm, dos quais 482,2 de fevereiro a abril. Em comparação com o mesmo período, até ontem, já choveu 34mm a mais, neste ano.
Trimestre
Este mês está chegando ao fim e com ele se encerra o trimestre (fevereiro - abril) com bons resultados pluviométricos em comparação com os últimos seis anos e também na recuperação das reservas hídricas do Ceará. No período, o acumulado das chuvas está em torno de 516.1mm, um pouco acima do esperado, que é de 510.1mm. É o melhor trimestre desde 2012 e talvez supere 2011, que registrou 523.0mm, pois ainda faltam três dias para abril terminar.
Até agora segue a tendência de encerramento do ciclo de seca que começou em 2012. A situação começou a reverter-se em 2017. No ano passado, no Estado, as chuvas ficaram na categoria em torno da média durante a quadra chuvosa (fevereiro a maio). Na região Norte, no Litoral, Maciço de Baturité e na Ibiapaba, as precipitações ficaram acima do esperado para o período. As primeiras quinzenas de março e abril foram favoráveis, mas nos períodos seguintes, os índices pluviométricos caíram. Agora, a Funceme espera o retorno das chuvas para o início da semana que aproxima.
Mais chuvas
O meteorologista Raul Fritz disse que há chance de as chuvas seguirem boas no início de maio próximo. O Órgão não faz previsão mês a mês, mas as condições de temperatura das águas superficiais do Oceano Atlântico Sul Equatorial, que estão mais aquecidas do que no Oceano Atlântico Norte, aliadas a outros fatores, indicam um quadro favorável às precipitações na região.
"Em comparação com o período que segue desde 2012 já se pode falar que, em 2017, houve uma pequena melhoria e que, neste ano, o quadro segue mais significativo nos índices pluviométricos, inclusive no Sul do Ceará (Cariri), assinalando para o fim do período de seca", explicou Fritz. O meteorologista observa que muitos açudes estavam vazios, pois vinham perdendo reserva desde 2012, mas, neste ano, houve uma retomada dos aportes hídricos.
Maio, que é o último mês da quadra chuvosa, vai definir se o atual período será o melhor dos últimos sete anos em índices pluviométricos. Já abril, que está findando, assinala a marca de melhor índice pluviométrico desde 2010. Até ontem a Funceme registrou, no acumulado do período, 208mm, isto é, 10.6% acima da média que é de 188mm.
A Funceme divide o Ceará em oito macrorregiões. Observando o trimestre - fevereiro a abril - sete ficaram com índices acima da média. Os dados são parciais e têm por base o dia de ontem, 27: Litoral de Fortaleza (0.2%), Sertão Central e Inhamuns (0.6%), Maciço de Baturité (11.5%), Jaguaribana (12.4%), Ibiapaba (12.8%), Litoral Norte (16.1%) e Cariri (17.5%). Já o Litoral do Pecém ficou com déficit de -7.5%.
Reservas hídricas
Com essas chuvas, os açudes registraram aportes e ultrapassaram 16%. Há exatamente um ano, o volume médio observado nos 155 reservatórios monitorados pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh) era de 12,5%. Havia dez reservatórios sangrando e três apresentavam volume acima de 90%.
Desde 2012 que o volume acumulado nos açudes monitorados pela Cogerh vem caindo. No ano anterior, em 2011, os reservatórios apresentavam uma média de 73,2%, após o fim da quadra chuvosa, em 31 de maio. Em 2012, na mesma data, reduziu para 66%. Em 2013, caiu para 42,6% e seguiu essa tendência nos períodos seguintes. Em 2016, chegou a 11,9% e em 2017, registrou um pequeno aumento, indo para 12,6%.
No início deste ano, o volume médio acumulado era 6,7%. A recarga mais significativa ocorreu na primeira quinzena deste mês de abril. "Estávamos no limite, com risco de importantes açudes secarem", observou o presidente da Cogerh, João Lúcio Farias. Afinal, era o sexto ano seguido de perda de reservas hídricas e dezenas de outros reservatórios estavam secos ou na iminência de secarem.
O Castanhão, maior do Estado, estratégico para o abastecimento da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF) e para os municípios da Bacia Hidrográfica do Baixo Jaguaribe, totalizando cerca de 4,5 milhões de pessoas, iniciou o ano com apenas 2,61% e seguiu perdendo volume até chegar a 2,08 em 22 de fevereiro. Foi o menor volume desde que foi inaugurado e recebeu a primeira recarga. Atualmente, acumula 8,44%.
O segundo maior, Orós, transferiu água para o Castanhão e para a RMF. O reservatório acumula agora 9,62%. No início do ano estava com 6,15%. A recarga foi reduzida por causa das chuvas escassas na Bacia do Alto Jaguaribe e do Rio Cariús, no Cariri Oeste.
O Banabuiú, o terceiro maior do Estado, está com 6,04%. Um índice reduzido, mas, no início deste mês, acumulava apenas 0,44%. "Boas chuvas que banharam a região favoreceram a recarga do reservatório", observou o gerente regional da Cogerh, Paulo Ferreira. "É o maior aporte dos últimos anos". Desde 2012 que o Banabuiú perde volume, cuja queda foi intensificada a partir de 2014.
Segundo o Portal Hidrológico da Cogerh, neste fim de abril, as Bacias Hidrográficas que têm maior volume são Coreaú (91,34%), Litoral (79,118%), Baixo Jaguaribe (45,54%), Serra da Ibiapaba (34,40%) e Metropolitana (29,51%). Houve melhoria na Bacia do Salgado (28,41%), Banabuiú (9,33%) e Médio Jaguaribe (8,27%). Houve, neste ano, aumento das reservas nos Sertões de Crateús (15,54%).
A redução das chuvas nos últimos dias freou o ritmo dos aportes. O volume nos rios e riachos baixou. O mês de maio, último da quadra chuvosa, tem uma média pluviométrica de apenas 90.6mm.