Os cinco anos seguidos de estiagem que castigam o sertão cearense desde 2012 vêm deixando um rastro de destruição no campo com resultados drásticos: queda da safra de grãos, neste ano de 68%, perda de capital, empobrecimento rural, redução de área de plantio e desânimo entre os agricultores. O quadro vem se agravando com a escassez das reservas hídricas.
A seca atual é uma das mais graves já enfrentadas pelo sertanejo. Até meados da década passada, estiagens menos intensas e ocorridas em apenas um ano, já obrigavam invasões de agricultores famintos às cidades em busca de trabalho e de estoque de alimentos nos depósitos de merenda escolar, nos armazéns da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e saques ao comércio das cidades do Interior.
Depois de cinco anos seguidos de estiagem que castiga o sertão não há registro de saques e invasões aos centros urbanos. "Os programas sociais de transferência de renda, Bolsa Família, o pagamento do Garantia Safra e outras medidas de apoio aos pequenos produtores evitam aquelas cenas do passado. Esses recursos mantêm o homem no campo, apesar das dificuldades. Esses recursos mantêm o homem no campo, apesar das dificuldades", explicou o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), Antonio Amorim.
Quem percorre as áreas rurais nesse período do ano percebe a realidade árida, a terra seca, o tempo quente, insuportável, que obriga a maioria dos agricultores a permanecer ociosa, à espera das chuvas a partir de janeiro vindouro. Alguns já preparam o terreno fazendo aquelas brocas tradicionais (queima dos restos culturais e da caatinga), método condenado por ambientalistas.
Um reduzido número se adaptou à realidade de escassez de água, implantando sistemas localizados de irrigação, perfurando poços, aplicando tecnologias simples, modernas, para produzir grãos, capim, hortaliças e frutas. Recentemente, diretores da Ematerce percorreram todas as regiões do Interior do Ceará numa espécie de visita às áreas produtivas e aos escritórios regionais e locais da Empresa visando ao planejamento das ações para os próximos dois anos.
O presidente da Ematerce, Antonio Amorim, mostrou-se surpreso com muitos núcleos produtivos encontrados no sertão cearense. São verdadeiras ilhas que conseguem produzir, mesmo sem assistência técnica governamental e atendem necessidades próprias (milho, capim) para o gado leiteiro e de corte, e grãos e frutos para suprir a demanda do mercado regional.
"Muitos produtores se reinventaram, não deixaram de trabalhar, de produzir, implantaram sistemas localizados de irrigação de baixo consumo de água, perfuraram poços e estão convivendo com a seca. São exemplos que precisam ser expandidos para outras áreas", frisou Amorim. O esforço do presidente da Ematerce será para obter mais recursos, contratar técnicos, ampliar a assistência aos produtores. "Precisamos dar apoio da porteira pra dentro e da porteira pra fora, pois muitos não conseguem se regularizar como empresa, fornecer nota fiscal e obter Sistema de Informação Federal", completou.
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