segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Número de acidentes com animais peçonhentos preocupa, no Cariri

Foto: Cid Barbosa


Barbalha. Ambiente urbano, sertão, serras e litoral. Seja nos pequenos centros ou nas grandes cidades, os acidentes com animais peçonhentos são uma realidade cada vez mais presente na vida do cearense. Até o início deste mês, o Estado registrou 1.870 casos, com quatro vítimas fatais. Uma das mortes aconteceu no final do mês passado, na zona rural de Várzea Alegre, no cariri cearense, quando o agricultor Damião Marques de Almeida, de 75 anos, foi atacado por uma colmeia de abelhas.

Apesar de ter sido a primeira morte na região em 2016, o número de casos chama a atenção. Todas as nove cidades que compõe a Região Metropolitana do Cariri (RMC) tiveram, pelo menos, um caso registrado no primeiro semestre deste ano. De acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), Barbalha lidera o ranking com 68 dos 112 casos registrados, o que corresponde a mais de 60% do total. Em 2015, a cidade teve 120 ocorrências com animais peçonhentos, enquanto a RMC encerrou o ano com 247.


Número de casos no 1º semestre de 2016 na RMC: 112 casos
Barbalha – 69
Juazeiro do Norte – 10
Caririaçu – 9
Farias Brito – 9
Crato – 8
Missão Velha – 3
Nova Olinda – 3
Santana do Cariri – 1
Jardim – 1

Alta
A Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Barbalha, considera a estática acima da média para o porte do município. Conforme o titular da pasta, Elismar Vasconcelos, a explicação pode está no clima quente e seco, somado aos dejetos descartados de forma irregular nas vias públicas que contribuem para o aumento no número de casos.

O doutor em Ecologia e especialista em herpetofauna, Felipe Bottona Telles, acrescenta que o aumento no número de acidentes com animais peçonhentos nas zonas urbanas deve-se, principalmente, ao processo de perda do habitat, que está relacionado ao desmatamento e ao crescimento das cidades. “Isto faz com que os animais percam seus ambientes, com as zonas urbanas se aproximando cada vez mais de áreas naturais. A preservação destes ambientes se faz necessária e urgente para obtermos um equilíbrio ecológico”, explicou.

O consultor ambiental detalha ainda que, como forma de prevenção, “é preciso tomar medidas importantes como manter limpos os arredores da casa e acondicionar o lixo em recipientes fechados para não atrair baratas e ratos, que são alimentos para aranhas e serpentes”.

Soro antiveneno
Durante o ano passado, foram registrados 3.976 casos em todo o Estado. De acordo com a Sesa, os meses de junho e julho, correspondente ao período das férias escolares, costumam apresentar elevação no índice. Esse período, 




acrescenta a Secretária de Saúde, coincide com temporada de acasalamento e reprodução das cobras que, ao lado dos escorpiões, são os responsáveis pelo maior número de casos no Estado.


Número de casos em 2015 na RMC: 247 casos
Barbalha – 120
Juazeiro do Norte – 30
Caririaçu – 6
Farias Brito – 29
Crato – 41
Missão Velha – 2
Nova Olinda – 3
Santana do Cariri – 11
Jardim – 5

Apesar do elevado número de acidentes com animais peçonhentos no Estado, o Ministério da Saúde (MS) suspendeu a distribuição de soros antivenenos para o Ceará. Em nota informativa, o MS afirmou que até o final de julho está com dificuldade de fazer novos abastecimentos. A explicação, ainda segundo o MS, deve-se “à necessidade de adequações e reformas nos parques industriais em consequentemente, interrupção na produção”. Há três anos, os laboratórios produtores passaram a ter que se adequarem às Boas Práticas de Fabricação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Com a suspensão, o estoque do soro no Ceará está reduzido, entretanto, ainda não está em falta, conforme destacou a Sesa. Mesmo diante dos casos registrados no primeiro semestre deste ano no Cariri, a assessoria do Hospital Regional, em Juazeiro do Norte, afirmou que “nenhum paciente que necessitou desses soros deixou de obter o tratamento”. De acordo com o HRC, no período de 01 de janeiro a 01 de julho de 2016, foram utilizados 37 ampolas de soro antibotrópico para dez pacientes e seis ampolas do soro antibotrópico laquético para quatro pacientes. O HRC, no entanto, não informou se há a possibilidade de zerar o estoque do soro, diante da suspensão da distribuição do Mistério da Saúde.




Fonte Diário do Nordeste