sexta-feira, 6 de novembro de 2026

Aprendizagem na Educação Especial melhora, mas desigualdade em relação aos demais alunos cresce no Ceará

Foto: Kid Jr.
Os índices de aprendizagem dos estudantes da Educação Especial das redes públicas do Ceará apresentaram avanços, de acordo com as notas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) de 2013 a 2023 – principal meio utilizado para medir a qualidade do ensino no Brasil.
No entanto, esse progresso foi ainda mais expressivo entre os estudantes que não têm nenhuma deficiência declarada. O contraste entre os dois grupos cresceu nesse período, revelando que as desigualdades no ensino persistem mesmo em cenário de melhoria.

Os dados são da pesquisa "Educação Especial no Saeb - Indicadores de Participação e Desempenho", realizada pelo Instituto Rodrigo Mendes (IRM), em parceria com a Fundação Lemann e com o Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede).

Segundo o levantamento, 19,1% dos alunos do 5º ano do Ensino Fundamental da Educação Especial tiveram aprendizagem adequada em Língua Portuguesa em 2013. Em 2023, 40,6% atingiram esse patamar. Isso representa uma melhora de 21,5 pontos percentuais (p.p.).

Porém, 39,8% dos demais estudantes – aqueles sem nenhuma deficiência declarada – já tinham essa proficiência adequada em 2013. A porcentagem aumentou para 66,9% em 2023. Ou seja, cresceu 27,1 p.p.

O resultado mostra que os avanços na aprendizagem não ocorreram na mesma intensidade para todos os estudantes. A proporção de alunos sem deficiências com aprendizagem adequada já era superior à dos estudantes da educação especial em 2013. Em 2023, a diferença aumentou.

O mesmo cenário foi registrado em Língua Portuguesa e Matemática também no 9º ano do Ensino Fundamental e no 3º ano do Ensino Médio. O dado vai na contramão das médias do Brasil, que mostraram uma redução das desigualdades entre os grupos.

“Quando a gente pensa na aprendizagem, não adianta olhar só as médias gerais. A gente precisa olhar para esses grupos específicos. Às vezes, a gente está melhorando a educação, mas está deixando um grupo para trás. E, nesse caso, é muito nítido que a educação especial ainda é um gargalo no estado do Ceará”, afirma a coordenadora da pesquisa, Maria Laura Gomes.

Com informações do Diário do Nordeste.