segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Senador Pompeu: Fiéis fazem a 34ª Caminhada da Seca

Após concentração, às 4h30 da manhã, em frente à Igreja Matriz, os fiéis saíram em cortejo em direção ao Açude Patú, por estrada de terra batida ( Fotos: José Avelino Neto )

Senador Pompeu Fiéis deste Município do Sertão Central, distante cerca de 280Km da Capital, promoveram, ontem, mais uma Caminhada da Seca. O ato relembra as centenas de vidas perdidas em consequência da estiagem de 1932, uma das piores no Estado. Conforme os organizadores, a Caminhada reuniu um público de seis mil pessoas, chegando à sua 34ª edição neste ano. A quantidade ficou abaixo do que era esperado, mas segue um número que tem se mantido ao longo dos anos.

A homenagem às vítimas da estiagem emocionou o povo e renovou a fé na esperança de dias melhores. A concentração começou por volta de 4h30 da manhã, em frente à Igreja Matriz, no Centro de Senador Pompeu. Cerca de uma hora depois, os fiéis saíram em cortejo em direção à barragem do Açude Patú, por uma estrada de terra batida. A maioria estava vestida de branco e caminhava com pés descalços.

O cortejo seguiu até o Cemitério da Barragem, onde uma missa foi celebrada pelo bispo da Diocese de Iguatu, dom Edson de Castro Homem, e concelebrada pelos padres Anastácio Ferreira de Oliveira, também de Iguatu, e João Melo dos Reis, de Senador Pompeu. Segundo relatos históricos, no Cemitério da Barragem estaria enterrada a maioria dos mais de dois mil mortos naquele ano. Todos teriam morrido em virtude da falta de comida, água e cólera, e foram enterrados como indigentes.

Emoção

A missa levou os fiéis a uma reflexão com a homenagem aos mortos, o que despertou muita emoção. Expedita Alves Silva, 73, compreende a Caminhada da Seca como uma forma de relembrar o doloroso momento vivido pelos moradores da época. "É uma homenagem ao sofrimento daquele povo", disse.

A sensação de emoção era única, compartilhada por mulheres, idosos, crianças, jovens e homens. Valdo Fernandes relembra que, mesmo prestes a completar 100 anos da estiagem de 1932, "Não tem como esquecer e relembrar este momento traz sempre muita emoção. O pessoal daqui era um povo muito sofrido", completou.




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