quinta-feira, 18 de junho de 2020

Líder religioso de Orós é denunciado por homofobia

Representantes da Associação da Diversidade e Direitos Humanos de Orós (ADHOS) apresentaram uma denúncia, na manhã desta quinta-feira (18), junto a Delegacia Civil de Orós, contra um pastor evangélico que teria publicado discursos homofóbicos nas suas redes sociais. O pastor Josué da Silva de Sousa, segundo o grupo, teria associado a relação entre pessoas do mesmo gênero ao mesmo que zoofilia — envolvimento sexual de humanos com animais. Ele nega e disse que foi mal interpretado.

Em publicação que circulou ontem à noite, nas redes sociais, o pastor compartilha uma imagem de apoio à causa LGBTI+ que tem escrita “Toda forma de amor vale a pena”. Nela, Josué questiona: “Você que é Cristão, concorda com isso? Toda forma de amor é válida?”. Após um comentário de um seguidor, o líder religioso volta a provocar: “O que me diz da zoofilia?”. Após o debatedor considerar a comparação “absurda”, o evangélico responde: “Nesse caso, toda forma de amor não é válida, então?”.

Os comentários geraram revolta da comunidade LGBTI+, que considerou a atitude do pastor de cunho preconceituoso. “Acontece há um tempo”, garante o professor e enfermeiro David Ederson Moreira. “(Ele) sempre teve esse discurso pesado. A gente nunca saiu do nosso espaço para ofender ele ou pessoas que seguem. Nunca fomos ao seu templo. Sabíamos que esses comentários existiam e no culto também, mas o que faz na Igreja é diferente. Quanto traz pra rede social, afeta até nossa segurança”, acredita.

Para David, a comparação com zoofilia, que é considerado crime no Brasil, não tem fundamento. “Fica nítido que tá fazendo relação à prática sexual. Não tem lógica dizer que não foi o objetivo dele. Se quisesse falar de amor, por que usar uma imagem de um movimento (LGBTI+) que já sofre há anos? Somos o país que mais mata essa população”, argumentou o enfermeiro.

A denúncia foi feita junto da advogada Fátima Silva, que atualmente é membro da Comissão de Direitos Humanos da OAB/CEARÁ e presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB, subseção Vale do Salgado. “O material foi deixado na delegacia. Provavelmente, será tipificado como (crimes) homofobia e injúria. Como será inquérito policial, depois de instaurado vai para o juiz, que encaminha para o Ministério Público denunciar”, explica. Um boletim de ocorrência online também foi feito.

O pastor Josué se defendeu, dizendo que houve uma má interpretação da postagem, que foi voltada para os evangélicos. “Eu fiz uma pergunta direcionada ao público. Na discussão, veio a outro caso. A confusão é que pegaram o fato citado e disseram que estava que estava fazendo uma associação. A postagem continua lá. Está exposto. Tenho consciência que não atingi, ofendi ninguém, nem cometi crime de homofobia”, ressalta.

Uma pessoa que pediu para não ser identificada, disse que os discursos homofóbicos também acontecem na Assembleia de Deus Ministério Madureira, onde Josué preside seus cultos. Segundo ele, as falas homofóbicas são reproduzidas por seus familiares, que frequentam a igreja. “Eu me assumi (gay) em 2013. Era outro pastor e não tinha estas questões. Minha mãe aceitou e disse: ‘Você vai ficar na minha casa e vou amar da mesma forma’. Depois, quando chegou, tudo mudou. Sei o quanto mexe na cabeça deles (meus pais). Não os culpo”, relatou.

O líder religioso ressalta que, em oito anos que mora em Orós, nunca teve nenhum problema. “A população me conhece. Eu sou amigo de homossexuais. Estou tranquilo. Isso foi uma forma tendenciosa de me prejudicar. São mais questões políticas. Nunca fui envolvido caso de homofobia”, garante o pastor Josué. A Polícia Civil investigará o caso.

O Ministério Público do Estado do Ceará ainda não recebeu a denúncia.

Com informações do Diário do Nordeste.